Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

94 95 Contextos e Influências Internacionais CAP Í TULO 4 • A OCDE, como tem sido reconhecido, é uma das organizações internacionais que mais tem influenciado as Políticas de Educação de vários países, e também de Portugal. Para além de estudos que permitem estabelecer comparações sobre o esta- do da educação em distintos países, a OCDE tem produzido também estudos, a con- vite dos governos, que analisam a situação de um país em particular (ex.: Portugal). • Dos estudos internacionais baseados em comparações realizados pela OCDE, o PISA é o que mais tem produzido influências não só em Portugal, mas em muitos outros países. Aplicado desde 2000, constitui uma referência nas avaliações que produz relativamente ao lugar que Portugal tem ocupado com os resultados dos jovens de 15 anos que frequentam Instituições Educativas e tem influenciado quer as políticas de Educação em geral, quer os modos de concretizar a Avaliação de Aprendizagens. Os resultados destas avaliações, que são realizadas a nível macro, baseiam-se em indicadores e práticas de Avaliação de Aprendizagens que podem ser apreendidas a nível micro e influenciar também as práticas de avaliação em cada es- cola e sala-de-aula. Por isso, os efeitos desta avaliação têm muitas vezes impacto ao nível da definição de políticas nacionais de Educação em geral, mas também do tipo de aprendizagens que devem ser promovidas e dos modos de as avaliar. • Dos vários documentos produzidos pelas organizações internacionais a que foi dado destaque neste capítulo do Estudo, perpassa a ideia de que a Educação para todos deve ser um desígnio global e que esta Educação deve assentar na formação de cidadãos globais. Emerge igualmente um conceito de Educação que não aposta apenas na aquisição de conhecimentos relativos a conteúdos, mas sim, cada vez mais, na criação de situações que promovam competências essenciais e capacidades trans- versais. Por isso, estas organizações têm veiculado a importância de os currículos valorizarem, para além de conhecimentos, atitudes, capacidades, comportamentos e valores, o que implica que a Avaliação de Aprendizagens tem também de ser ajustada a esta nova conceção de Educação. • Uma nova conceção de Educação e a consequente necessidade de uma também nova forma de avaliar as aprendizagens, implica que os diferentes agentes educativos conheçam diferentes meios para avaliar o que os alunos sabem e podem fazer, e sai- bam interpretar os resultados dessas avaliações assim como aplicar esses resultados para melhorar as aprendizagens dos alunos – Literacia de Avaliação (Webb, 2002). Os alfabetizados em avaliação terão um conhecimento claro dos critérios, dos indi- cadores e do que se pretende que os alunos devem saber nos diferentes níveis educa- tivos. Serão capazes de desenvolver e selecionar avaliações que façam sentido num determinado contexto e que reflitam as metas e objetivos de realização específicos. Conhecer cada avaliação, distingui-las e usá-las de modo eficaz requer formação para ir para além dos simples rankings . • Emparticular, e no que se refere às avaliações internacionais (supranacionais), é de notar que cada uma tem uma complexidade que deve ser entendida para se saber usar os seus resultados, fazer comparações e identificar práticas que possam gerar impacto na aprendizagem. Não se deve, no entanto, fazer uma mera transfe- rência dessas práticas, mas antes evitar erros já cometidos e identificar estratégias a replicar com os necessários ajustamentos, considerando o contexto nacional e local. A escolha das métricas com vista a comparações obedece a critérios específicos que devem ser compreendidos por quem for usar os resultados, de modo a evitar conclu- sões perversas e erradas. Por outro lado, as métricas globais podem gerar controvér- sias sobre a tentativa de hegemonização de uma visão do que deve ser a Educação e de quais as apredizagens que devem ser valorizadas. As métricas globais devem ser compreendidas e usadas de modo complementar com aquelas que existem nos sistemas nacionais de avaliação. • Portugal participa em várias destas avaliações internacionais. Parece, no en- tanto, haver potencial para rentabilizar o investimento inerente a esta participação, uma vez que atualmente a utilização dos dados, da informação e das recomendações que resultam destas avaliações é ainda relativamente escassa. De facto, embora al- gumas destas avaliações internacionais tenham já sido usadas para suportar o racio- nal de medidas de políticas educativas e mesmo de reformas ao nível da Avaliação de Aprendizagens, que visaram colocar o País em posições mais elevadas em ciclos de avaliação posteriores, a verdade é que globalmente os recursos disponibilizados por estas avaliações são ainda usados de forma limitada. Compreender como os di- versos países tomam ações para a mudança no sentido da melhoria com base nos resultados destas avaliações, que opções tomam e que objetivos conseguem atingir em avaliações sucessivas configura-se como diligência relevante para apoiar a to- mada de opções adequadas para Portugal.

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