Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

92 93 Contextos e Influências Internacionais CAP Í TULO 4 De um modo geral, o estudo que está a ser referido, ao procurar compreender até que ponto o uso de AILE influencia a Política de Educação Nacional, permite concluir que a forma como a comunidade educativa perceciona e usa os resultados destas avaliações difere muito entre contextos (Fischman et al. , 2019). Os autores consideraram que o uso poderia ser classificado em dois tipos: a) uso para fins instrumentais e b) mau uso ou uso indevido (Tabela 6). De notar que existe a possibilidade de não se usarem de todo os dados e a informação disponibilizados pelas AILE. Tabela 6 Uso das Avaliações Internacionais em Larga Escala em Contexto de Política Educativa Nacional Tendo por referência a informação existente sobre a influência das avaliações in- ternacionais ao nível da Educação e do seu uso na Avaliação de Aprendizagens, não surpreenderá, pois, que o Estudo que aqui se apresenta tenha considerado impor- tante aprofundar a evidência de como as recomendações veiculadas pelas Avaliações Inter-nacionais em Larga Escala têm sido levadas em conta na elaboração de polí- ticas educativas, na definição de estratégias de implementação dessas políticas e na monitorização de aprendizagens na Educação não Superior. Tendo esta ideia por referência, foram feitos alguns estudos de casos internacionais que caracterizam os modos como neles é contemplada a Avaliação de Aprendizagens. No capítulo 5 é apresentada informação sobre estes casos, que contemplam países com diversas dimensões geográficas e populacionais, bem como Sistemas Educativos específicos e que tiveram resultados relativamente interessantes na última avaliação do PISA. Por isso, na análise realizada foram tidas em consideração as políticas, as estraté- gias e os modos de ação associados à Avaliação de Aprendizagens, de modo a poder considerar-se tais experiências quando se tratar de analisar o desenho de estratégias e de práticas a adotar no nosso País. 4.8 Súmula • Os relatórios do Banco Mundial fornecem dados e informação relevante para se conhecer o estado da Educação, devendo ser usados no desenho e aplicação Estabelecer metas e padrões de referência para reformas e medir o progresso das mesmas. • Validar mudanças políticas ou justificar reformas existentes • Demonstrar a necessidade de financiamento • Para adaptar e/ou desenvolver testes nacionais Os formuladores de políticas têm pouco conhecimento sobre AILA/MGA • As AILE/MGA são descontextualizadas e, portanto, não são úteis • As AILE/MGA são muito amplas e abstratas para serem usados de maneira significativa • Propósitos de culpabilizar, castigar e fazer comparações simplistas (listagens) • Para efeitos de propaganda política Uso indevido Uso com fins instrumentais USO Não uso Fonte: a partir de Fischman et al . (2019) de políticas que concretizem o princípio da escola para todos, com a equidade e a qualidade social que países democráticos procuram. • Nestes relatórios é de relevar a ideia de que a aprendizagem é o resultado da interação entre elementos principais (professores, alunos, gestão escolar e recursos escolares), e outros de cariz contextual, com impacto na apre ndizagem, que englobam os atores locais, regionais, nacionais e internacionais. Por outro lado, o Banco Mundial defende que esta aprendizagem deve ser medida e monitorizada, usando os resultados da avaliação para conduzir a própria ação de promoção da aprendizagem. • No que à União Europeia diz respeito, é fundamental, quando se pensam modos de concretizar a Avaliação de Aprendizagens, ter em atenção o que é apontado pelo relatório Delors et al . (1996) quando refere os Pilares da Educação que devem suportar a educação para o século XXI. A ênfase na aprendizagem de conhecimentos, mas também no desenvolvimento de competências pessoais e sociais que permitam a cada um continuamente aprender a aprender, aprender a ser e aprender a viver juntos , justifica que constituam ainda, nesta segunda década do século, uma bússola orientadora da ação educativa e da Avaliação de Aprendizagens. • Também o relatório “Assessment practices for 21st century learning: review of evidence” (Siarova et al ., 2017), nomeadamente pelo seu foco na Avaliação de Aprendizagens e no papel que esta tem de desempenhar para se caminhar no senti- do de uma educação e avaliação que integrem o domínio das competências, valores e atitudes, fornecem várias pistas a considerar no delineamento de uma Educação que se deseja de todos e para todos. • A UNESCO advoga a necessidade de uma Educação para a cidadania global. Isso pressupõe que a aprendizagem abarque as dimensões cognitiva, socio-emocio- nal e comportamental. Estas dimensões estão ancoradas nos princípios da educação holística, do pensamento crítico, do diálogo e da formação de valores. Sendo esta a aprendizagem que deve ser promovida, a sua avaliação deve ser baseada não apenas em avaliações em larga escala, mas também em avaliações micro com finalidades for- mativas e diagnósticas, no sentido de identificar e avaliar de forma mais substancial todas as competências que se considerem importantes desenvolver e consolidar nos alunos, tendo o professor um papel central neste processo de avaliação. Ainda mais interessante é o facto de a UNESCO sustentar, no seu trabalho sobre Avaliação de Aprendizagens, a importância de que esta avaliação permita monitorizar e melhorar a aprendizagem, em linha com o que é proposto neste Estudo. • Relativamente à Organização dos Estados Ibero-Americanos, o relatório de 2020, retomando ideias do relatório para a UNESCO (Delors et al ., 1996), aprofunda a importância de a educação escolar não se limitar à dimensão cognitiva da aprendi- zagem e ampliá-la à dimensão social. Por isso, e no que à Avaliação de Aprendizagens diz respeito, a sua influência pode ser marcante, nomeadamente pelo reconhecimen- to que tem havido sobre a importância da Aprendizagem ao Longo da Vida e de ser promovido um conhecimento múltiplo e transdisciplinar que permita a cada um aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser (Delors et al ., 1996).

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