Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
68 69 Contextos e Influências Internacionais CAP Í TULO 4 a) Avaliar a aprendizagem medindo, monitorizando a aprendizagem e usando os resultados para conduzir a ação. É recomendado aos países a necessidade de implementar uma série de avaliações dos alunos de forma bem estruturada para ajudar os professores a orientar os alunos, melhorar a gestão do sistema e focar a atenção da Sociedade na aprendizagem. Essas medidas podem fazer ressaltar exclusões ocultas, informar sobre escolhas de políticas e permitir acompanhar o progresso. b) Agir com base em evidência para que as escolas trabalhem para todos os educandos, usando a evidência para guiar a inovação e a prática. É recomendado que os países atuem em três áreas: i) proporcionem aos educandos as condições básicas (ex.: alimentação e estímulo na primeira infância) que lhes permitam estar aptos a aprender; ii) atraiam para a Educação pessoas talentosas, capazes de se tornarem professores capacitados e motivados; iii) disponibilizem recursos e uma gestão focalizada no ensino e na aprendizagem. c) Alinhar os atores , colocando todo o sistema a trabalhar para a aprendizagem, enfrentando as barreiras técnicas e políticas à aprendizagem. É recomendado aos países que para evitar as armadilhas da baixa aprendizagem, atuem em três frentes ao implementar reformas: i) usem informação e medições para tornar a aprendizagem politicamente relevante; ii) criem parcerias para direcionar incentivos políticos para a aprendizagem para todos; iii) usem abordagens inovadoras e adaptáveis para perceber que abordagens funcionam melhor em cada contexto. O Banco Mundial considera a aprendizagem como o resultado da interação entre pro- fessores, alunos, gestão escolar e recursos escolares; reconhece, ainda, que é neces- sário considerar outros elementos contextuais com impacto na aprendizagem, como sejam, as políticas, as organizações da sociedade civil, as comunidades, o sector judi- ciário, o sector privado, a burocracia e os atores internacionais, entre outros (Banco Mundial, 2018). Para que a aprendizagem possa ocorrer, é considerado necessário que todos estejam alinhados de forma coerente e com o foco na aprendizagem (Figura 5). Figura 5 Coerência e Alinhamento para a Aprendizagem Fonte: Banco Mundial (2018, p. 26) APRENDIZAGEM Este modelo conceptual é um importante contributo para uma clarificação da rele- vância de existir um foco comum para todos os atores e grupos de interessados, que podem ter interesses, metas e objetivos diversos, mas que, mesmo assim, podem participar num trabalho comum que traga benefícios para uma Educação para todos. Assim, e apesar da controvérsia que as publicações e a prática do Banco Mundial têm muitas vezes provocado, parece ser útil acompanhar essas publicações e apro- veitar estes recursos informacionais, porque o Banco Mundial também é um rele- vante fator de contexto da Avaliação de Aprendizagens (Klees et al ., 2019). 4.3 União Europeia Relativamente ao papel e à influência da União Europeia nos percursos de Avaliação de Aprendizagens em Portugal, é de destacar o relatório elaborado por Jacques Delors para a UNESCO sobre a Educação para o século XXI. Este relatório propõe que a Educação seja desenvolvida com base em quatro pilares (Delors et al ., 1996): aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos e a viver com todos; aprender a ser (ver Figura 6). Figura 6 Os Quatro Pilares da Educação FAZER CONHECER VIVER JUNTOS SER Aprender a: • Aplicar saberes • Usar as tecnologias digitais • Aceder ao mundo do trabalho • Descobrir o outro • Perceber a independência humana • Gerir conflitos • Valorizar o pluralismo cultural • Participar, cooperar, partilhar • Forjar o Homem Integral – espírito e corpo • Desenvolver autonomia • Assumir responsabilidades • Valorizar potencialidades • Dominar instrumentos de conhecimento • Desenvolver capacidades e competências • Ampliar as possibilidades de comunicação • Promover o diálogo: saber popular e científico O pilar aprender a conhecer tem a ver com a aquisição de instrumentos de com- preensão, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. O pilar aprender a fazer está relacionado com a competência de aprender a agir sobre o meio envolvente, a fim de adquirir, não somente uma qualificação profissional, mas, de uma maneira mais ampla, adquirir competências que tornem a pessoa apta a enfrentar as nume- rosas situações que a vida coloca e a trabalhar em equipa. Neste sentido, o aprender a fazer compreende também experiências sociais ou de trabalho que se oferecem aos jovens e adolescentes, quer espontaneamente, fruto do contexto local ou nacional,
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