Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
64 65 Contextos e Influências Internacionais CAP Í TULO 4 4.1 Introdução Os contributos de Agências Internacionais para a Avaliação de Aprendizagens no meio escolar são particularmente importantes para analisar o envolvimento de Portugal com essas estruturas e o modo como têm sido abordados e acolhidos os resulta- dos do País, no contexto internacional. No capítulo 3 já se procurou associar cer- tas orientações contidas em documentos de entidades internacionais (CE, OCDE, UNESCO) a desenvolvimentos observados na Avaliação Educacional e, em particu- lar, na Avaliação de Aprendizagens, em Portugal. Este capítulo 4 foca este assunto e abre também caminho para a análise do que tem sido o percurso de outros países. Especificamente, e em linha com o foco do Estudo, a intenção é dar a conhecer con- textos de influência para percursos de Avaliação de Aprendizagens em Portugal. Por outro lado, a apresentação de distintas Agências Internacionais, que têm produzido visões macro e documentos orientadores em Educação e Avaliação Educacional, não tem como propósito fazer comparações com as avaliações levadas a cabo por estas entidades supranacionais, antes sim captar as principais linhas orientadoras que têm influência a nível nacional. Existem vários Sistemas de Avaliação internacionais e regionais, baseados em mé- tricas destinadas a avaliar competências em leitura e matemática. Apesar de terem objetivos distintos, estes sistemas tendem a convergir nos procedimentos estatísticos utilizados, conforme se pode verificar num estudo de revisão feito pelo Australian Council for Educational Research (ACER), com o patrocínio da OCDE (Carless e Boud, 2018). Por isso, justifica-se conhecer os diversos modelos e padrões de avalia- ção internacional, tendo presente que não existe normalização validada dos indica- dores, visto que cada agência ou organização define os seus próprios. Assim sendo, a comparabilidade dos resultados das diferentes avaliações de aprendizagens pro- movidas por agências internacionais é difícil. Contudo, esforços de síntese das di- versas abordagens poderão ajudar a definir um claro vocabulário comum e facilitar o uso de informação, para além da mera classificação e ordenamento em listas de países, podendo esta informação ser relevante para informar as políticas e melhorar a Avaliação de Aprendizagens. Contextos e Influências Internacionais As avaliações internacionais, à frente caracterizadas, podem ter influência a nível nacional, se forem devidamente consideradas pelos formuladores de políticas, con- tribuindo para globalizar os currículos e apoiar a tomada de decisões. Para além desta presença e influência alargadas, também existem forças que defendem o res- peito pelo contexto local e pela valorização das competências e capacidades veicula- das pelas culturas locais, necessárias para a vivência desses contextos. O necessário equilíbrio dinâmico que resulta da ação destas múltiplas forças manifesta-se por vezes numa preponderância da influência das avaliações internacionais, sendo que, em outras ocasiões e espaços, se verifica alguma resistência a este efeito globalizante (Hopfenbeck, 2018; Stacey et al ., 2018, p. 16). Se as Políticas Educativas são influenciadas pelos modelos globais de avaliação vei- culados por instituições supranacionais, deve ter-se presente que a sua Avaliação Educacional tem sido muito influenciada por indicadores quantitativos produzidos, nomeadamente, pela Economia da Educação, no que se refere à análise de custo- -benefício das políticas adotadas (Levin, 1988). Estes indicadores permitem fazer comparações entre países e, no seu uso mais simplista, dão origem aos rankings de países que, entre outros usos, acabam por dar lugar a metas definidas como objeti- vos a alcançar pelos seus Sistemas de Educação. Um outro nível de informação disponibilizado por estas entidades são as reco- mendações sobre o Sistema de Educação objeto de avaliação global. Estas reco- mendações têm, nos diversos países, um uso variado. Por vezes, as recomendações parecem ser ignoradas ou subvalorizadas, servindo meramente como justificativo de mudança ou para legitimar formulações legislativas. Outras vezes, os países apro- veitam as recomendações e analisam os resultados das avaliações como diagnósti- co, com vista a uma mudança baseada em estratégias informadas, ajustadas ao seu contexto nacional e respeitando os seus princípios. A Investigação em Educação, focada na Avaliação de Aprendizagens, tem fornecido modelos concetuais e evidência empírica, que também podem influenciar a defini- ção de políticas, a criação de legislação e a sua implementação até ao nível micro. A Figura 4 sistematiza influências de Avaliações em Larga Escala e da Investigação em Educação, em Políticas Educativas. Partindo das contribuições dadas por uma seleção de publicações, nas secções que se seguem é feita uma análise do contributo de algumas destas organizações inter- nacionais (Banco Mundial, União Europeia, OEI, UNESCO, OCDE) para o desenho de políticas educativas, destacando-se, no final do capítulo, uma secção referente ao impacto que as avaliações internacionais têm na Avaliação de Aprendizagens.
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