Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
38 39 Avaliação de Aprendizagens CAP Í TULO 2 Estas abordagens podem ser úteis para discutir a Avaliação Formativa em diferentes níveis do sistema e para planear as intervenções e políticas com o objetivo de apoiar a melhoria da prática dos professores e incrementar a aprendizagem dos alunos. A Teoria de Ação da Avaliação do Programa pode ser utilizada após os programas terem iniciado a sua implementação, de modo a garantir que o sistema está a funcionar conforme o esperado (FAST SCASS, 2018a). Legisladores, administrações regionais, escolas e professores, todos tomam decisões sobre avaliação. Estes diversos atores, com diversos níveis de capacidade profissional e de literacia sobre Avaliação de Aprendizagens, podem ter benefícios se atuarem em rede e em colaboração, de modo a incrementar a sua literacia (individual e coletiva) sobre Avaliação de Aprendizagens. A abordagem em rede também pode ser usada para formar redes de conhecimen- to, ligando pessoas e informação, especialistas, investigadores e práticos, de mo- do a evitar o desperdício de tempo e de outros recursos. Como exemplo deste tipo de abordagem temos o Learning Portal , do International Institute for Educational Planning , UNESCO ( https://learningportal.iiep.unesco.org/en ) . Outro exemplo de redes de conhecimento é o Center for Global Development ( https://www.cgdev.org/ ) , que disponibiliza informação sobre Educação, além de outros temas correlacionados (Bruns, 2018). O Brown Center on Education Policy ( https://www.brookings.edu/ center/brown-center-on-education-policy/ ) , por seu turno, permite o acesso a relató- rios, de que é exemplo significativo o “Brown Center Report on American Education: How Well are American Students Learning?” (Hansen et al ., 2018). De referir que nesta escala, Redes, não se invalida a análise feita nas outras escalas (Macro, Meso e Micro), mas procura-se identificar ligações entre os diversos atores nas diversas escalas. O conhecimento dos elementos das redes (os nós e as ligações) pode facilitar o alinhamento e as sinergias entre os atores e diminuir as barreiras de comunicação através da partilha de conhecimento. 2.7 Súmula • A avaliação pode ser uma força poderosa no apoio à aprendizagem e um mecanismo de capacitação individual, podendo apoiar os alunos de todas as idades, situados nos diversos níveis educativos, a tornarem-se mais conscientes dos seus pontos fortes e dos pontos fracos e dos modos de os melhorar. A avaliação pode for- necer um mapa e um caminho de aprendizagens a percorrer, resultado da colabora- ção entre os professores, os alunos e as famílias. • Assumido o princípio que todos devem ter acesso à Educação e que, estan- do inseridos em Sistemas Educativos, todos podem aprender e evoluir no seu conhe- cimento e competências, interessa avaliar se este princípio está concretizado nas polí- ticas, nos fins e nas práticas de Avaliação Educacional. Esta ligação entre a Avaliação e as Aprendizagens conduz à opção de situar este Estudo numa área que se pode de- signar por Avaliação de Aprendizagens. • A opção de situar este trabalho no campo da Avaliação de Aprendizagens, conduz a atribuir à Avaliação Formativa (Avaliação para a Aprendizagem) e à Avaliação Sumativa (Avaliação da Aprendizagem) o objetivo de avaliar os diversos saberes e competências que os alunos devem construir para se tornarem cidadãos integrados na Sociedade e preparados para novos desafios, numa atitude de per- manente aprendizagem. Em vez de considerar a Avaliação Sumativa e a Avaliação Formativa como dicotómicas, aceita-se a existência destes dois tipos de avaliação, com objetivos próprios, mas considerando-as complementares e constituindo re- cursos para promover a Avaliação de Aprendizagens. • Se para compreender a Avaliação Formativa e a Avaliação Sumativa, é ne- cessário conhecer as suas principais características, por forma a distingui-las, tal não deve levar a considerá-las em posições antagónicas. Como Scriven avisou, de- ter-se nesta falsa separação torna-se um processo autodestrutivo da Avaliação de Aprendizagens (Scriven, 1967). O hábito de usar quase exclusivamente a Avaliação Sumativa pode levar a usar a Avaliação Formativa nos mesmos moldes e acabar por forçar o seu uso para os mesmos fins classificatórios. • De um modo simples é necessário considerar as principais diferenças entre Avaliação Sumativa e Avaliação Formativa, traduzidas nas seguintes ideias: As atividades da Avaliação Sumativa (summative assessment – Assessment of Learning) resultam numa avaliação do desempenho do aluno, no final de um determinado período letivo que pode servir para certificar competências adquiridas ou desenvolvidas, classificar e dar acesso a um nível superior ou atribuir um determinado grau; As atividades associadas à Avaliação Formativa (Assessment for Learning) resultam num conjunto de informações sobre o que um aluno sabe e sobre o que este entende desse conhecimento. Com estas informações, tanto o professor quanto o aluno identificam em que ponto este está na aprendizagem, as lacunas existentes e qual o caminho para atingir os seus objetivos de aprendizagem. • A dificuldade de implementar uma Avaliação Formativa pode advir da deficiente literacia sobre a Avaliação Formativa dos seus principais intervenien- tes (professores e alunos) bem como dos que devem criar as condições para que esta possa ocorrer (Lideranças Escolares, Instituições de Educação Superior e de Formação de Educadores e Professores, Entidades Governamentais). Num âmbito mais alargado, os pais e a sociedade devem entender e valorizar este tipo de ava- liação como meio de incrementar a aprendizagem. Ou seja, é necessária e impor- tante uma avaliação da literacia de avaliação dos diversos atores educativos e dos principais grupos de interessados, com o objetivo de incrementar essa competência através de formação dirigida e nos contextos onde esses atores atuam. Com esta orientação estratégica, pretende-se que estes atores passem do estado de sensibi- lização da existência da Avaliação Formativa para o de participantes ativos na sua valorização e concretização. • A sobrevalorização dos resultados da Avaliação Sumativa e Classificatória para acesso à Universidade, em Portugal, é um fator que fragiliza o recurso à Avaliação Formativa, sobretudo na Educação Secundária. No capítulo 6, este fator emerge com forte frequência nas audições feitas no âmbito deste Estudo.
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