Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
30 31 Avaliação de Aprendizagens CAP Í TULO 2 para apoiar a adoção de cinco estratégias-chave de Avaliação Formativa pelos pro- fessores. Trata-se do Keeping Learning on Track Program (KLT), que se pode tra- duzir por Programa “Mantendo a Aprendizagem no Trilho” (MAT) ou “Mantendo a Aprendizagem como Foco” (MAF). O Educational Testing Service (ETS), funda- do em 1947, é a maior organização privada sem fins lucrativos de teste e Avaliação Educacional do mundo. A ETS desenvolveu um programa de pesquisa que cobriu não apenas a Medição em Educação, mas também áreas relacionadas, como Estatística, Avaliação Educacional e Psicologia, particularmente Psicologia Cognitiva, de desen- volvimento, personalidade e social (Bennett, 2017). A base conceptual do programa Keeping Learning on Track Program é um modelo lógico que usa a teoria da ação e que tem subjacente a ideia de que o objetivo central da avaliação é a melhoria da aprendizagem dos alunos (Wiliam, 2007; Lyon e Leusner, 2008; Black e Wiliam, 2009; Thompson e Goe, 2009; Leahy e Wiliam, 2012). Realce-se que a teoria da ação gira em torno de uma grande ideia e cinco estratégias-chave, com base em duas publicações de Black e Wiliam: “Assessment and classroom learning” (Black e Wiliam, 1998a) e “ Developing the theory of formative assessment” (Black e Wiliam, 2009). O modelo que suportou aquele programa baseia-se na ideia de que os alunos e os professores usam a evidência para adaptar o ensino e a aprendizagem e para dar resposta imediata às necessidades identificadas durante o processo quotidiano de aprendizagem. Este modelo tem o foco no professor, como ator principal neste pro- cesso, e, decorrente desta ideia, identifica a necessidade de formação dos profes- sores em Avaliação Formativa. Para que os professores assumam integralmente os novos papéis e os novos paradigmas relacionados com a Avaliação Formativa, que ocorrem a cada minuto na sala-de-aula e no dia-a-dia profissional, precisam de uma formação que vá além de uma rápida exposição teórica sobre os princípios e os mé- todos. Educadores e professores precisam de compreender e implementar as estra- tégias de Avaliação para a Aprendizagem (Assessment for Learning) e necessitam, também, de ter oportunidades para as desenvolver, praticar, refletir e refinar cons- cientemente o conjunto de capacidades e competências que funcionem no contexto das suas próprias salas de aula. A rotina alimentada por testes, currículos pouco flexíveis e metas estabelecidas exteriormente podem atrofiar o desenvolvimento dos professores na sua reflexão, aprendizagem e prática de avaliação. Uma deficiente formação, muitas vezes traduzida por repetições, não é eficaz, o que leva à frustração (Wylie et al ., 2008, p. 12). O desafio passa, sim, por desenvolver e aplicar modelos de desenvolvimento profissional e sistemas escaláveis de entrega de acordo com as necessidades dos professores, de modo a disseminar o conceito, os modelos e as abordagens de Avaliação Formativa. Requer-se, ainda, assistência significativa aos professores que estão a tentar mudar práticas de longa data por outras mais eficazes, de modo que os professores considerem um bom investimento a sua formação ao longo do desempenho da sua profissão (Thompson e Goe, 2009). Na Figura 1 apresenta-se o modelo Keeping Learning on Track, KTL, (“Mantendo a Aprendizagem no Trilho”, MAT), com as componentes de formação e apoio ao professor, devendo abarcar os conceitos básicos, a ferramenta teórica, as estratégias práticas e técnicas para a implementação da Avaliação de Aprendizagens e o processo de planeamento de mudanças da prática corrente. Figura1 Modelo Keeping Learning on Track Program (KLT) Fonte: William (2007), Bennett (2011) e Thum et al . (2015) Componentes Formação e Apoio Impactos nos Professores Impactos nos Alunos Formação e apoio ao professor sobre a Avaliação de Aprendizagens • Conceitos básicos (da Investigação) • A Ferramenta Teórica • Estratégias Práticas e Técnicas para a Implementação • Processo de Planeamento de mudanças da prática corrente Encontros mensais das Comunidades de Aprendizagens de Professores (CAP), incluindo tempo e estrutura para: • Relatar os progressos • Identificar problemas • Planear futuras mudanças Suporte contínuo • Diálogo contínuo com consultores ETS • 2 oficinas anuais • Materiais auxiliares (ex. Manual/Guiões) Professores adaptam o ensino para irem ao encontro das necessidades imediatas de aprendizagem dos alunos Alunos mais empenhados Alunos apoiam-se mutuamente e tomam a responsabilidade da sua aprendizagem Alunos reagem ao feedback Saber usar Estratégias Usar diariamente as evidências de aprendizagem do aluno para adaptar o seu ensino: • Identificar e compartilhar as expectativas de aprendizagem; • Estruturar as oportunidades para que os alunos se apropriem da sua própria aprendizagem; • Proporcionar um ambiente onde os alunos possam ser recursos de ensino e aprendizagem, uns para os outros; e • Fornecer retorno (feedback) para que a aprendizagem possa avançar. Melhoria da Aprendizagem Os denominados Teacher Learning Communities (TLC) ou Comunidades de Apren- dizagem de Professores (CAP), requerem que se garanta disponibilidade de tempo para ser dedicado a esta atividade. Para além desta formação e dos encontros mensais, deve haver um apoio contínuo, estruturado em diálogo contínuo com consultores ETS (Educational Testing Service) , realização de duas oficinas anuais e materiais auxiliares (ex. manual/guiões). Esta formação e este apoio deve fazer com que os professores tenham a perceção do seu progresso e do seu desenvolvimento. Ou seja, se a formação e o apoio têm impacto nos professores, este impacto deve traduzir-se na sua capacidade de usar as estratégias na sala-de-aula. As estratégias, alinhadas a práticas de ensino e de avaliação, podem apoiar o pro- fessor na adaptação do seu ensino para ir ao encontro das necessidades imediatas de aprendizagem do aluno, processo que pode influenciar positivamente o envolvi- mento dos alunos. A criação de um ambiente participativo, pode ajudar os alunos a apoiarem-se uns aos outros e a autoavaliarem-se, de modo a que se autorregulem
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