Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
24 25 Avaliação de Aprendizagens CAP Í TULO 2 Os fins de cada uma das avaliações requerem abordagens específicas, que Earl e Katz (2006, p. 14) apresentam do seguinte modo: “If the purpose is enhancing learning, the assessment needs to give students an opportunity to make their lear- ning apparent without anxiety or censure. If the purpose is checking learning for reporting , teachers need to be especially concerned about the quality of the asses- sment, and how it might be used by others. It is very difficult, and sometimes impos- sible, to serve three different assessment purposes at the same time. It is important for educators to understand the three assessment purposes, recognize the need to balance among them, know which one they are using and why, and use them all wisely”. Em linha com estas ideias, quando se responde a questões como Avaliar para quê? Avaliar o quê? Quais os métodos? Como garantir a qualidade? Como usar as in- formações? há que ter presente que as respostas são diferentes de acordo com as seguintes alternativas: Avaliação da Aprendizagem, Avaliação como Aprendizagem ou Avaliação para a Aprendizagem. Pode, também, haver interesse em algum modo de integração total ou parcial destes tipos de avaliação e, então, é preciso ajustar a estrutura de planeamento e abordagem. Em suma, para implementar na prática a Avaliação de Aprendizagens, é necessário ter debatido, refletido e identificado previa- mente as funções e fins desejados, de modo a construir um sólido e coerente quadro conceptual que seja partilhado e entendido pelos diversos atores do campo educacio- nal, num específico contexto. Aplicando aquele modelo à Avaliação de Aprendizagens, surge naturalmente a ques- tão: Quais são as aprendizagens que queremos avaliar no contexto global, europeu e português? Responder a esta questão passa por identificar e selecionar as aprendi- zagens que se tem como intenção alcançar para posterior divulgação a todos os agen- tes educativos, de modo a implementar, na prática, a Avaliação de Aprendizagens escolhida. Sabendo-se que existe um alargado leque de atitudes, valores, competên- cias, capacidades e conhecimentos, é necessário selecionar os que tiverem maior po- tencial para decisões relevantes considerando que as funções atribuídas à avaliação incluem a avaliação de atitudes e valores, a avaliação de competências, a avaliação de capacidades e a avaliação de conhecimentos. Uma função comum na Avaliação de Aprendizagens, e com o foi realçado atrás, quando se explicou a razão de usar o termo aprendizagens no plural, está cen- trado na avaliação de competências, existindo variados modos de as identificar e agrupar, considerando-as como objeto de aprendizagem. A OCDE, em publicação recente, associada ao PISA 2018, aponta para a preparação dos jovens para a vida num mundo inclusivo e sustentável definindo competência como: “a capacidade de mobilizar conhecimento, aptidões, atitudes e valores, incluindo uma aborda- gem reflexiva dos processos de aprendizagem, de modo a envolver-se e atuar no mundo” (OECD, 2018d, p. 25). A avaliação PISA 2018 usa a seguinte definição de Competência Global: “é a capacidade de examinar as questões de nível local, glo- bal e intercultural, para entender e apreciar as perspetivas e visões do mundo dos outros, para se envolver em interações eficazes com as pessoas de diferentes culturas, e para agir para o bem-estar coletivo e o desenvolvimento sustentável” (OECD, 2018d, p. 7). Uma outra conceção de competência global é apresentada como “a capacidade de analisar criticamente questões globais e interculturais e de múltiplas perspeti- vas, de compreender como as diferenças afetam perceções, julgamentos e ideias de si e dos outros e de se envolver em interações abertas, apropriadas e efetivas com outros de diferentes origens com base no respeito partilhado pela dignida- de humana” (Ramos e Schleicher, 2016, p. 4). Uma publicação da OCDE focada em Portugal, intitulada “Skills Strategy Implementation Guidance for Portugal: Strengthening the Adult-LearningSystem” (OECD, 2018e), fornece inclusive um Guia de Implementação. No contexto europeu, desde 2006, com a publicação “Recomendação do Parlamento Europeu e do Conselho sobre as competências essenciais para a aprendizagem ao longo da vida” (Parlamento Europeu e Conselho da Europa, 2006), a aprendizagem baseada em competências foi integrada na agenda do Parlamento e da Comissão Europeia. Em Portugal, as Competências Essenciais têm vindo a percorrer um caminho, iniciado com o Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais , divulgado em 2001 (Ministério da Educação, 2001), posteriorme- te revogado, até ao atual Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (Martins et al. , 2017) que integra a atual agenda da Política Educativa. Em síntese, considerado o vasto leque de competências identificadas pelos organis- mos internacionais, cada país deve refletir e escolher o conjunto de competências que considere importantes, tendo em conta os princípios adotados para elaborar as suas políticas e para fazer uma implementação coerente e clara para todos os atores envolvidos no processo de Avaliação de Aprendizagens. Um outro aspeto a considerar quando se pensa na Avaliação Educacional é a sua base teórica. Na Tabela são esquematizadas as abordagens e os principais concei- tos utilizados: 1) baseados em teoria; 2) desenvolvidas empiricamente e com base em resultados de avaliações prévias; 3) concebidas por especialistas; 4) partindo da política. Tabela1 Origem das abordagens e dos conceitos na prática de Avaliação Educacional Formulados com base numa teoria, como as noções piagetianas sobre o desenvolvimento de ideias científicas. Elaborados a partir dos resultados dos alunos em testes anteriores. Fundamentados em visões de especialistas disciplinares sobre o que conta como progressão no assunto. Alguma prática é baseada na precedência histórica. Desenvolvidos para sinalizar aos educadores o que os políticos ou decisores políticos consideram importante. Fonte: Construído a partir de Baird et al . (2017) Abordagens Conceitos 1. Baseadas em teoria ( Theory based) 2. Desenvolvidas empiricamente (Empirically driven) 3. Concebidas por especialistas no assunto (Subject matter expert devised) 4. Conduzidas pela Política (Policy driven)
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