Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

22 23 Avaliação de Aprendizagens CAP Í TULO 2 organizar o pensamento relativamente à Avaliação em Educação e, em particular, a um tema complexo como é a Avaliação de Aprendizagens. Aqui se tem mais uma referência à relevância dos princípios em Avaliação em Educação e à ligação destes com a política e os modos de agir, as práticas. No campo conceptual, poderão, ainda, ser acrescentadas outras visões complemen- tares desta, como a que é referida pelo especialista americano Rick Stiggins (2017, p. 5): Assessment is the process of gathering evidence of student learning to inform educational decisions. Em publicação recente, Domingos Fernandes apresenta uma ideia de Avaliação Pedagógica como “ englobando todas as ava- liações, formativas e sumativas, que se desenvolvem essencialmente no contexto das salas de aula e são da integral responsabilidade dos professores e dos seus alunos ” (Fernandes, 2019b, p. 140). Se o uso de conceitos como “Avaliação Formativa” e “ Avaliação Sumativa , ou de ou- tros termos próximos, como são “Avaliação para a Aprendizagem” e “Avaliação das Aprendizagens”, são geralmente usados na escala Micro, eles também aparecem no dis- curso político de organizações supranacionais, na área da Educação, às escalas Macro e Meso, como por exemplo nas publicações da OCDE ou da União Europeia (OECD, 2005; Siarova et al ., 2017). Como a literatura científica tem sustentado, a Avaliação de Aprendizagens pode ser concretizada a partir de diferentes perspetivas, assumindo, do ponto de vista das práticas curriculares, distintas intenções e sentidos, ou funções (Broadfoot e Black, 2004; Black e Wiliam, 2018; Panadero et al ., 2019; Wiliam, 2018). É neste âmbito que a função atribuída à avaliação nos processos de ensino-aprendizagem tem vin- do a sofrer alterações, que se devem, segundo Barreira (2019), particularmente, ao desenvolvimento da Avaliação Formativa e, acrescente-se, ao reconhecimento dos efeitos que ela poderá ter na melhoria das aprendizagens (Black e Wiliam, 1998a; Fernandes, 2019b). Talvez por isso os conceitos de “Avaliação de Aprendizagens” e “Avaliação para a Aprendizagem” (“Avaliação Formativa”) aparecem muitas vezes interligados, na medida em que esta última, numa atitude formativa, pode ser usada como um meio de incrementar as diversas aprendizagens. 2.4.2 Fins, funções e abordagens da Avaliação de Aprendizagens Lorna Earl está associada a duas publicações em que os fins visados com a avalia- ção merecem aprofundado tratamento (Earl, 2006; Earl e Katz, 2006). Na primeira destas referências podemos ver a relevância conferida aos fins na seguinte alusão da autora: Purpose Is All “Classroom assessment has always been used for a variety of purposes but these purposes are becoming more differentiated and complex. In recent publications, colleagues and I have expanded on the differentiation made by the Assessment Reform Group to describe three intertwined but distinct as- sessment purposes – assessment for learning; assessment as learning; and as- sessment of learning” (Earl, 2006, p. 6). A importância conferida a esta maneira de entender os fins da avaliação está bem expressa na seguinte forma de associar a mudança em avaliação com a política, as práticas e a investigação: “Assessment is a highly emotional and political activity that sits at the heart of the work of schools. Just identifying and naming the different purposes for assessment will not reduce the conflicts among them or create a context within which the differences will be understood and respected. Instead, the road to assessment reform that unleashes the power of assessment as a lever for learning will be a winding one, with implications for policy, for practice, and for research.” (Earl, 2006, p. 10). A questão relativa ao uso da Avaliação em Educação pela política interessa de modo particular, pois tem inscrito o entendimento do que são os fins da Escola e da Educação Escolar, que devem estar presentes na definição e assunção dos fins da Avaliação de Aprendizagens. A autora refere este assunto de modo significativo: “Policy makers have a responsibility to lead the way not only in “naming” the dif- ferent purposes of assessment, but also in differentiating assessment approaches so that the results are appropriate and adequate to the particular purpose at hand and are not used inappropriately for purposes that they are not capable of suppor- ting” (Earl, 2006, p. 11). Na publicação intitulada Rethinking classroom assessment with purpose in mind (Earl e Katz, 2006), Lorna Earl volta a discutir os fins da avaliação para criar e implementar mudanças nas práticas de avaliação que sejam consistentes com a melhoria das aprendizagens para todos os alunos. Os fins da avaliação voltam a ser apresentados do seguinte modo: The focus of this document is on three distinct but inter-related purposes for classroom assessment : assessment for learning, assessment as learning, and assessment of learning (p. 13) . A tradução destas expres- sões conduz-nos a três distintos fins da avaliação: avaliação para a aprendizagem, avaliação como aprendizagem e avaliação da aprendizagem. Acrescentam os autores que o fim de avaliar para aprender (Assessment for Learning) é proporcionar aos professores evidência que lhes permita, entre outros desenvolvimentos, modificar e diferenciar o processo de ensino-aprendizagem, para o adequar à diversidade de alunos presentes na sala-de-aula. A Avaliação para a Aprendizagem é vista como um processo de desenvolvimento e apoio à metacognição, com o seu foco no papel do aluno, e como elo de ligação entre ensino e aprendizagem, ou seja, corresponde ao que tem sido designado por Avaliação Formativa. No entanto, há que realçar que o processo regulatório da metacognição é visível quando os alunos se envolvem com sentido crítico, dão sentido à informação e usam o feedback obtido para fazer ajus- tamentos, adaptações e mesmo grandes alterações nos modos de aprendizagem, si- tuação que requer que os professores ajudem os alunos a lidar bem com a reflexão e com uma análise crítica da sua aprendizagem, ou seja, a avaliação é usada como aprendizagem (Assessment as Learning) . A Avaliação como Aprendizagem é aquela que, em si mesma, constitui uma aprendizagem, visto que o seu objetivo principal visa ajudar os alunos a tornarem-se aprendizes autodirigidos, capazes de identificar as suas lacunas e de usar essa informação para a sua melhoria no processo de apren- dizagem. Por outro lado, a função sumativa associada à Avaliação de Aprendizagem (Assessment of Learning) pode ser usada tendo em vista os fins seguintes: fornecer evidência sobre o grau de realização das metas de aprendizagem traçadas, sendo rea- lizada após um processo de ensino-aprendizagem em que se pretende que aquelas metas sejam atingidas por todos os destinatários; confirmar o que os alunos sabem e podem fazer; confirmar que conseguiram alcançar os resultados previstos no cur- rículo; posicionar os alunos, uns em relação aos outros.

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