Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

190 191 Audições Realizadas CAP Í TULO 6 • Estes três fatores explicam a importância dada à avaliação sumativa e a sua relevância nas escolas relativamente a uma avaliação formativa, importância ainda mais acentuada no caso da Educação Secundária, em que a grande parte dos alunos tem como meta o prosseguimento de estudos. No que se refere a este nível de es- colaridade, em particular, é de referir ter sido considerado que os exames nacionais conduziram a uma melhoria da qualidade dos instrumentos de avaliação utilizados internamente. • No caso da Educação Secundária Profissional, a avaliação caracteriza-se por processos de caráter essencialmente formativos e por processos de desenvolvimento do currículo flexíveis e de forte relação com os contextos reais de trabalho. • A legislação publicada nos últimos anos, em particular o decreto-lei 55/2018, bem como o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e o enfoque nas aprendizagens essenciais, contribuíram para relançar a discussão nas escolas em tor- no da promoção de uma avaliação formativa, capaz de efetivamente promover a apren- dizagem continuada dos alunos ao longo dos seus percursos escolares. No entanto, é de destacar, também, a referência à dificuldade inerente à aplicação do documento relativo ao Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, nomeadamente no que respeita à avaliação das competências que lá se encontram especificadas. • Relativamente ao PISA, ou mesmo à Avaliação Externa de Escolas (AEE), os inquiridos consideram que a sua influência é reduzida relativamente à promoção de uma conceção de Avaliação de Aprendizagens, seja ela sumativa ou formativa. No limite a AEE tem uma influência positiva no que respeita à interiorização de uma cultura de autoavaliação, nas escolas e agrupamentos de escolas. • Como áreas-problema relativamente à implementação de uma Avaliação Formativa emergiram, nestas audições: a existência de exames finais de ciclo; o facto das provas de aferição funcionarem, ainda que implicitamente, como exames; a articulação ainda deficiente entre as aprendizagens essenciais, os programas das disciplinas e os temas cobertos nas provas de aferição e nos exames nacionais; bem como o envelhecimento do corpo docente, com o cansaço e resistência à mudança que o mesmo parece potenciar. • As audições permitiram ainda destacar a necessidade de mais e melhor formação dos docentes em Avaliação de Aprendizagens. Esta formação deve ocorrer, na opinião dos entrevistados, ao nível de cada escola, em função das suas necessida- des particulares, e ter um carácter essencialmente prático. O objetivo expresso como desejado é que a formação possa efetivamente contribuir para uma alteração das práticas de Avaliação de Aprendizagens nas escolas e agrupamentos de escolas, com a promoção da Avaliação Formativa em detrimento da Sumativa. Resumidamente foram referidas pelos inquiridos as seguintes recomendações rela- tivamente à Avaliação de Aprendizagens: – Aposta na Avaliação Formativa nas disciplinas sem exame, com maior atenção a ser dada às aprendizagens essenciais; – Melhor compreensão sobre o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória e as possibilidades da sua implementação em cada escola e agrupamento; – Melhor articulação entre os programas das disciplinas e as aprendizagens – Novos manuais escolares, centrados sobre as aprendizagens essenciais e adaptados a uma lógica de Avaliação Formativa; – Formação para docentes em Avaliação de Aprendizagens, oferecida com o apoio das universidades e institutos politécnicos, centrada na prática e contextualizada e adequada às especificidades de cada escola e dos seus alunos; – Atribuir maior peso à Avaliação Formativa na Avaliação de Aprendizagens, promovendo-se um ensino mais individualizado e uma avaliação centrada em cada aluno.

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