Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
18 19 Avaliação de Aprendizagens CAP Í TULO 2 alargar o seu âmbito de aplicação, desde a avaliação de escolas, à avaliação do desempenho docente passando também pela avaliação dos processos formativos e das políticas educativas, foi a avaliação das aprendizagens que ao longo dos tem- pos ganhou maior protagonismo, quer ao nível das conceções e práticas, quer ao nível da implicação que tem tido nos outros âmbitos, servindo até como elo de li- gação entre eles” (Barreira, 2019, p. 191). Por sua vez, Domingos Fernandes (2013), usa a designação Avaliação em Educação e “ Educational Assessment” , a que associa a seguinte formulação: “ A avaliação educacional vem sendo considerada cada vez mais indispensável para descrever, compreender e agir sobre uma grande varie- dade de problemas que afetam os sistemas educativos e formativos. Trata-se de um processo social complexo que envolve pessoas que funcionam em determina- dos contextos, com os seus valores, as suas práticas e políticas próprias e envolve também a natureza do que está a ser avaliado que, por sua vez, também tem as suas finalidades, lógicas e políticas próprias ” (Fernandes, 2013, p. 13). No caso do Estudo que aqui se apresenta, adotou-se a designação Avaliação em Educação ou Avaliação Educacional quando se pretende referir um processo avaliativo centrado sobre as políticas e estratégias, as instituições, o desempenho de educadoras/es e professoras/es, o currículo e os processos educativos, o processo de aprendizagem de alunas/os e os correspondentes resultados. Apesar deste sentido global, e como já foi expresso, o foco escolhido para o Estudo é uma área específica da Avaliação Educacional que se designa por Avaliação de Aprendizagens e que alguns autores atrás citados, designam, em Língua Portuguesa, por Avaliação das Aprendizagens, Avaliação da Aprendizagem ou Avaliação Pedagógica. A correspondente designa- ção em Língua Inglesa é Learning Assessment , e, em Língua Francesa, Évaluation des Aprentissages e Évaluation de l’apprentissage (Barroso, 2017; Cavaco e Dierendonck, 2017). O recurso à expressão Avaliação de Aprendizagens, usando este último termo no plural, tem por referência, quer a dimensão cognitiva do co- nhecimento, quer o facto de se englobar nessas aprendizagens aspetos relacionados com competências pessoais e sociais. Este conceito amplo de aprendizagens está em linha com a Política de Educação que, em Portugal, depois de 2017, tem vindo a re- conhecer como função da Educação Escolar e da Sociedade em geral orientar-se por princípios, valores e atitudes constantes do Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória. Por outro lado, o recurso à proposição de tem como razão reconhecer- -se como função da avaliação contribuir para promover aprendizagens, ou mesmo para servir como aprendizagem. Nesta conceção de avaliação está a contemplar-se, quer a sala-de-aula e os protago- nistas do seu dia-a-dia (alunos e professores, crianças, jovens e educadores), quer as condições para a promoção de aprendizagens, sabendo que, ao longo do último século, os processos de avaliação têm adotado orientações, fins e funções que foram mudando de modo substancial. 2.3 A Avaliação de Aprendizagens em Instituições Educativas A avaliação centrada no processo de ensino-aprendizagem e nos alunos, com en- volvimento esclarecido de educadores e professores, tem constituído tema central de revisões de literatura científica e de outras publicações, dentro e fora do nosso País (Black e Wiliam, 1998a, 1998b; Marinho et al. , 2014; Barroso, 2017; Cavaco e Dierendonck, 2017; Siarova et al ., 2017; Fernandes, 2019b;). Marinho, Leite e Fernandes (2014) referem que o quadro conceitual usado para situar as conceções dos professores sobre a avaliação da aprendizagem conside- ra ‘quatro gerações’ de avaliação: a) avaliação como medida; b) avaliação como descrição; c) avaliação associada à formulação de juízos; d) avaliação como negociação e construção. Por sua vez, Domingues Fernandes (2019a) integra na designação avaliação pedagógica todas as avaliações, formativas e sumativas, que se desenvolvem essencialmente no contexto das salas de aula e são da integral res- ponsabilidade dos professores e dos seus alunos. Como introdução para o uso da designação educational assessment , em língua inglesa, que inclui expressamente o que se designa por Avaliação de Aprendizagens, será oportuno transcrever o que é proposto em publicação preparada para a Comissão Europeia (Siarova et al ., 2017, p. 8) : The field of educational asses- sment is currently divided and fragmented into differing and often com- peting paradigms, methods and approaches: formative versus summative, norm-referenced versus criteria/standards-referenced, internal versus external, measurement versus judgement, etc. However, at the same time more and mo- re education stakeholders realise that assessment is a process which aims to document learning as well as to feed and improve it, and therefore needs to be guided by theories, models, and evidence. A autora Caroline Gipps (1994), já no final do século XX, apresentou uma conce- ção de avaliação (“ assessment ”) que tem as aprendizagens inscritas. Ao conceito de avaliação associou um alargado leque de métodos usados pelos professores para avaliar o desempenho dos alunos, em que inclui os exames e testes usados em sa- la-de-aula, mas também os portfolios , isto é, instrumentos bem distintos quando se pensa como concretizar a avaliação. Para além de admitir que se observa uma mudança de paradigma da psicometria para um modelo mais alargado de Avaliação Educacional, esta autora acrescentou que esta mudança está associada a uma mu- dança de uma cultura de teste e exame ( testing and examination ) para uma cul- tura de avaliação ( assessment ), que recorre a uma muito mais alargada gama de aplicações do que os testes. Em publicação que tem merecido referência sistemática quando se aborda a Avaliação de Aprendizagens, Paul Black e Dylan Wiliam (1998a) justificam a importância de a ter em consideração apoiando em conceitos que a caraterizam na sua dimensão formativa. O termo geral avaliação (assessment) é entendido como compreendendo todas as atividades de professores e alunos que proporcionem feedback que possa ser usado para introduzir mudanças nos processos de ensino-aprendizagem. Esta ava- liação, segundo estes autores, é considerada formativa quando é usada para ajustar o ensino de modo a satisfazer as necessidades de aprendizagem dos alunos. Neste sentido, recorrem à expressão assessment para a distinguir da avaliação no sentido de medida e para a situar face ao que está em foco. Exemplo disso são as expressões como “classroom evaluation” , “classroom assessment” , “internal assessment” , “ins- tructional assessment” e “student assessment” . Interessante é também a referência
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