Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

178 179 Audições Realizadas CAP Í TULO 6 é mais do que uma realidade que “compromete o avaliador, o professor, e o aluno avaliado (…) a reconhecerem a todo o momento, o ponto da situação em que se encontram, em termos de desenvolvimento de capacidades, competências e aqui- sição de conhecimentos, e também desenvolvimento de uma atitude pró-ativa. Daí que ela tenha uma natureza eminentemente formativa” (DA3). Paralelamente é re- ferida a importância da avaliação enquanto mecanismo de aferição do resultado do processo de ensino: “há preocupação em avaliar e saber (…) o que é que os alunos nos dão de volta” (DA1), bem como da forma como se processou a aprendizagem: “qual é o retorno daquilo que se trabalhou, o que é que eles aprenderam” ; “se os miúdos aprenderam ou não aprenderam, ou o que é que aprenderam (…) para nós podermos ver como é que eles aprendem para se poder mudar.” (DA1). Por outro lado, é também referida a importância da avaliação como forma de motiva- ção, de descoberta e de conhecimento sobre as capacidades dos alunos: “Porque a partir do momento em que o aluno é mais motivado [isso] vai-se refletir em tudo. A nível de conhecimento, porque começa a ter mais sede de aprender e de saber.” (CA1). Da análise das respostas foi possível reconhecer dois tipos de Avaliação de Apren- dizagens, a formativa e a sumativa, destacando-se claramente que é à Avaliação Sumativa que as escolas e os professores dão maior importância, pese embora o facto de a avaliação Formativa ser aquela que é considerada com maior relevância para uma efetiva promoção das aprendizagens. A Avaliação Formativa é entendida como sendo focada no aluno e no seu desenvol- vimento e na sua capacidade de “fazer coisas”, a partir da informação que tem. Ela toma em consideração o ponto de partida de cada aluno individual, olha para o seu ponto de chegada e avalia a sua evolução, nas competências que cada aluno conseguiu alcançar. Nas palavras de um entrevistado: é um “processo revelador, (…) que es- tá ao serviço daquilo que é efetivamente a aprendizagem (…) está ao serviço da promoção da qualidade das aprendizagens” (DC1). Para promover este tipo de avaliação, é apontado como exemplo de estratégia a se- guir a modalidade de projeto. Ao longo da realização de um projeto é possível iden- tificar erros sempre que estes acontecem e reorientar a ação por forma a construir conhecimento e alcançar o sucesso na aprendizagem (DA2). Outras práticas edu- cativas foram destacadas, procurando fomentar a aprendizagem dos alunos e que assumem uma vertente mais formativa. Nestas inclui-se o trabalho colaborativo en- tre alunos (não necessariamente da mesma turma), assente em trabalho prático, de projeto e/ou experimental, numa lógica de gestão integrada do currículo, e que é realizado por equipas educativas. Estas práticas, que incluem uma avaliação orien- tada para a aprendizagem e não apenas enquanto medição da aprendizagem, foram indicadas como sendo favorecidas por encontros informais/convívio nos intervalos e/ou na hora do almoço entre os professores da escola. Outros exemplos passaram por: não marcação atempada de testes, ou a marcação apenas de um número reduzi- do dos mesmos; redefinir o peso dos testes na avaliação final; recorrer a outros ins- trumentos de avaliação como portfolios , apresentações de trabalhos de pesquisa ou apresentações orais. A autoavaliação foi também referida enquanto mecanismo de autorregulação do processo de aprendizagem por parte do aluno. Por sua vez, a Avaliação Sumativa é vista como uma forma de sancionar, como o alcançar de uma dada capacidade, de um conhecimento que devia ser adquirido. É ainda vista como a avaliação da capacidade de reprodução escrita e/ou oral daquilo que é lecionado nas aulas, produzindo essencialmente uma classificação dos alunos, na qual se avalia apenas quantos conseguiram alcançar uma determinada meta (tran- sição vs. não transição). Nesse sentido, corresponde a uma conceção de avaliação re- dutora porque só permite aferir os conhecimentos de que o aluno dispõe e não o que pode fazer para melhorar a partir desses conhecimentos e competências. Também não permite o reiniciar quando se percebe que o aluno não está a conseguir avançar. Talvez por isso, e como foi reconhecido por um dos entrevistados, este tipo de ava- liação acaba por funcionar como uma medida de coação, que resulta na compensação do aluno que trabalha e se dedica ou na reprovação daquele que não o faz ou que não consegue essa aprendizagem. Foi referido: “essa pressão, esta coação da avaliação, acaba por ser muitas vezes a sua função principal, subvertendo completamente a função da avaliação. (…) A avaliação acaba por ser a arma mais poderosa que mui- tas vezes o professor usa para controlar uma aula, ou fazer os alunos estudarem e, portanto, isso agrava a função de avaliação” (DES1). Nesse âmbito, a Avaliação Sumativa afasta-se da própria essência do que a avaliação pode ser e deve ser, isto é, de contribuir para a melhoria dos processos de aprendizagens. Como foi reconhecido pelos entrevistados, é a Avaliação Sumativa aquela que pre- domina nas escolas. Em muitos casos, logo no início do ano definem-se critérios de avaliação, consubstanciados em instrumentos de avaliação que a aplicar, que contri- buem geralmente para que a avaliação se fossilize ao longo do ano. Portanto, a reali- dade vivida em muitas das escolas contraria os princípios do que deve ser a avaliação, muito embora essas práticas não estejam de acordo com a atual legislação. Como foi referido: “A avaliação formativa surge como a principal modalidade de avaliação na lei, mas na prática o professor valoriza muito mais a parte sumativa e desva- loriza a formativa” (DES1). Por outro lado, ainda que para algumas escolas a ava- liação seja um mecanismo “regulador das aprendizagens”, para a generalidade dos pais ela é “certificadora de um determinado processo. E esta diferença de perceção entre aquilo que é a avaliação das escolas, a nossa enquanto educadores, e a for- ma como os pais percecionam a avaliação, é, talvez a maior dificuldade na gestão do processo de avaliação” (DC1). A importância que os pais dão aos testes e a uma avaliação de cariz sumativo tem “sobretudo a ver com fatores de segurança, de ga- rantirem o controlo do processo (…) de terem a perceção de que conseguem, mais facilmente, regular o processo de aprendizagem dos filhos” (DC1). a) Fatores que influenciam a implementação de diferentes conceções, procedimentos e práticas de Avaliação de Aprendizagens São diversos os fatores apontados pelos entrevistados como influenciando as conce- ções de Avaliação Formativa ou Sumativa. Desde logo os rankings que são produzidos com os resultados dos alunos nos exames nacionais fazem com que os professores se preocupem mais em classificar os alunos, do que em avaliar as suas aprendizagens numa lógica formativa. A existência de exames no 9º ano e na Educação Secundária obriga escolas e professores a prepararem os seus alunos para os mesmos. Por outro

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