Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
168 169 Audições Realizadas CAP Í TULO 6 6.1 Introdução Neste capítulo apresenta-se uma caracterização global do trabalho desenvolvido através de audições envolvendo educadoras(es), professoras(es) e lideranças, em Jardins-de-Infância, Agrupamentos de Escolas e Escolas não agrupadas dando-se especial enfoque à informação recolhida a partir das mesmas. Para tal, começa-se por delimitar o objetivo traçado para as audições a realizar, cuja natureza deter- minou a abordagem investigativa e a estratégia de recolha de informação. Segue- se uma breve descrição das diferentes fases envolvidas no processo de recolha de dados, identificando-se também as limitações metodológicas desta componente do estudo, resultantes da situação atual de crise pandémica. Por fim, apresenta-se uma descrição mais detalhada dos métodos, técnicas e instrumentos utilizados na reco- lha de informação, bem como dos principais dados obtidos nas audições realizadas. Estes incidem essencialmente nas perceções dos/as entrevistados/as acerca de algu- mas dimensões do presente Estudo, que oferecem possibilidades de análise e contri- butos para a compreensão de entendimentos, procedimentos e práticas de Avaliação de Aprendizagens em contexto de ação. 6.2 Identificação do propósito e abordagem adotados A realização plena dos fins do Estudo, cumprindo os objetivos traçados, requeria a realização de um conjunto de audições em Jardins-de-Infância, Agrupamentos de Escolas e Escolas não agrupadas, relativos aos vários níveis de escolaridade e às di- ferentes modalidades de formação na Educação Secundária. Estas audições tinham o objetivo de compreender a problemática da Avaliação de Aprendizagens dos alu- nos na sua relação com perceções de agentes educativos, sobre efeitos das Políticas de Educação e do Currículo. Por isso, nas audições realizadas estiveram em foco perceções destes agentes educativos sobre conceitos, procedimentos e práticas de Avaliação de Aprendizagens adotados na Educação Pré-Escolar, na Educação Básica e na Educação Secundária, em cursos científico-humanísticos e em cursos profissionais. A relação entre a Avaliação de Aprendizagens adotada e as Políticas Audições Realizadas de Educação e o Currículo, assim como fatores de contexto considerados mais rele- vantes (como facilitadores ou como obstáculos), foram também considera-das nessas audições. Em síntese, as audições focaram as seguintes dimensões: • Perceções de lideranças, de coordenadores(as) do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular e de coordenadores da Educação de Infância e/ou 1.º CEB e Coordenadores de departamento e professores de cursos profissionais sobre o conceito de Avaliação de Aprendizagens; • Caracterização de procedimentos/práticas seguidos na Avaliação de Aprendizagens (proximidade/distância entre conceitos e práticas); • Relação entre o sucesso escolar e os modos como a avaliação é concretizada; • Condições que favorecem uma avaliação promotora de aprendizagens e obstáculos que a dificultam. 6.3 Fases do processo de recolha de dados 6.3.1 Fase 1: Audições preliminares Na fase primeira do Estudo foi feita uma audição preliminar a um grupo selecionado de cinco (5) agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, com o objetivo de re- colher informação relativa aos desafios e tensões identificados por diretores no que à Avaliação de Aprendizagens diz respeito, tendo por referência o enquadramento normativo em vigor. A seleção destes agrupamentos de escolas e escolas não agru- padas foi feita por conveniência, para corresponderem a perfis diversificados, isto é, escolas com distintas posições nos rankings nacionais e frequentadas por alunos com distintos capitais sociais e culturais. O processo de recolha de dados, através de inquéritos por entrevistas semiestruturadas, realizou-se em março de 2019 6.3.2 Fase 2: Audições Na fase 2 do Estudo, o processo de recolha de dados foi igualmente feito através de inquéritos por entrevista e realizou-se entre janeiro e março de 2020, tendo por ba- se os resultados alcançados nas audições preliminares (Fase 1). Essas entrevistas semiestruturadas, foram realizadas em cinco (5) agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, selecionadas por terem diferentes perfis: ensino público/ensino par- ticular; escola não agrupada/agrupamento de escolas; participação e não participa- ção no projeto-piloto do PAFC 11 ; assegurarem cursos profissionais. 11 O Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular. Decorrente do Despacho n.º 5908/2017, de 5 de julho, este projeto (PAFC) abrangeu os estabelecimentos de ensino da rede pública e privada, cujos órgãos de direção, administração e gestãomanifestaram interesse na implementação domesmo. Apresentado na intenção de promover melhores aprendizagens, e indutoras do desenvolvimento de competências de nível mais elevado, este Projeto assumiu a centralidade das escolas, dos seus alunos e professores para uma gestão do currículo de forma flexível e contextualizada, reconhecendo que o exercício efetivo de auto- nomia em educação só é plenamente garantido se o objeto dessa autonomia for o currículo.
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