Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
138 139 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 Education Report , publicado a cada quatro anos, tendo o último destes relatórios sido publicado em 2018. A Suíça gastou com a Educação em todos os níveis, em 2014, 16% da sua despesa pública total, em comparação com a média da OCDE de 13%. No entanto, os valores dedicados à Educação variam muito entre os Cantões, como resultado de uma série de diferentes fatores, desde a maior ou menor oferta de Educação, passando pelo nível de preços e pelo número relativo de pessoas a frequentar o Sistema Educativo. Em relação à despesa pública total, os gastos com a Educação, em 2014, variaram de 16,2% do gasto total, no Cantão de Graubünden, a 31,7%, no Cantão de Friburgo. Há um envolvimento financeiro considerável de empresas privadas em programas da Educação Secundária Superior Profissional que combinam a escola e o local de trabalho. A despesa do sector privado em Educação, nos níveis abaixo da Educação Superior, também é bastante elevada, atingindo 12% dos gastos com a Educação Primária, Secundária e Pós- Secundária não Superior, em comparação com a média de 9% para a OCDE. Os salários dos professores da Suíça estão entre os mais altos dos países da OCDE, verificando-se que, após 10 anos de experiência, os salários dos professores primários são em média de o dobro dos salários médios dos seus pares nos países da OCDE. 5.7.4 Avaliação Educacional na Suíça A política de avaliação educacional da Suíça foi recentemente analisada num artigo de Flavian Imlig e Susanne Ender, intitulado “Towards a national assessment poli- cy in Switzerland: areas of conflict in the use of assessment instruments” (Imlig e Ender, 2018), que tomaremos com base para esta breve revisão. Um aspecto que tem muito interesse ter presente é o uso dos resultados da avaliação para distribuir os alunos por diferentes grupos-nível, que era uma prática corrente nas escolas. Porém, a partir dos anos 80 do século passado, os professores e os responsáveis políticos têm vindo a promover uma nova cultura de avaliação através de três instrumentos de avaliação: o Teste de Orientação (Orientierungsarbeit) , o Teste de Stellwerk e a Avaliação de Competências Básicas do Sistema Educativo (ÜGK). O Teste de Orientação (Orientierungsarbeit) , usado desde 1994, foi desenvolvido pelo Cantão de Lucerna e usa um conjunto de questões de Matemática para os alu- nos do 6º ano. Na parte da Suíça de língua alemã, outros Cantões foram aderindo e o teste foi sendo ampliado para uma maior gama de assuntos, tendo sido progressi- vamente alargado para os alunos desde 2º ano até ao 9º ano. Aquelas autoras con- sideram que desde o seu início estes testes apresentaram uma confusão de objetivos. Originalmente pretendia-se proporcionar aos professores um instrumento de ava- liação objectivo, mas as orientações e as dicussões que foram surgindo indicavam uma falta de clareza e uma mistura de objetivos sumativos e formativos, a que se as- sociava uma comunicação pouco clara dos objetivos pela administração escolar. Se por um lado os seus resultados são usados para ajudar os professores a pensar em estratégias de apoio e ensino individuais, por outro lado, estes testes, quando são realizados no fim da escola primária, também servem para distribuir os alunos pelas escolas de Educação Secundária. O teste de Stellwerk foi desenvolvido e implementado pelo cantão de St. Gallen em 2006, cerca de uma década após o primeiro lançamento do Teste de Orientação, sendo influenciado por avaliações moldadas psicometricamente, como o PISA. Desde que este teste foi aplicado por quase todos os cantões de língua alemã, os seus itens são baseados em objetivos educacionais comuns aos diferentes currícu- los dos cantões. Trata-se de um teste de escolha múltipla, feito em computador, com itens de resposta curta, que visa contribuir para construir um perfil individual de competências dos alunos do oitavo e nono anos, a fim de prepará-los para a transição da escola obrigatória para a Educação Secundária, Geral ou Profissional. Tanto o desenvolvimento do teste como a avaliação dos resultados dos alunos são centralizados e conduzidos por uma organização profissional. Mais recentemente, em 2016, foi lançada a Avaliação de Competências Básicas do Sistema Educativo (ÜGK), que está associada às responsabilidades compartilha- das pela Federação e pelos Cantões. Esta modalidade de avaliação foi desenvolvida pela Conferência Suíça de Ministros Cantonais de Educação (Swiss Conference of Cantonal Ministers of Education – EDK) e integra a estratégia nacional de monito- rização da Educação. Compreende uma avaliação das competências dos alunos do segundo, sexto e nono anos, baseada numa amostra que cobre toda a Suíça, centran- do-se na Matemática, Ciências, Línguas Maternas e Línguas Estrangeiras. É proje- tada para medir se os alunos alcançaram os padrões de Educação nacional, tanto ao nível nacional como cantonal. Deste modo, a Suíça introduziu um sistema de Governança Educacional em que são usadas ferramentas de monitorização e de re- latório, implementando um sistema de avaliação do desempenho nacional, denomi- nado “Evaluation of basic competencies” . Assim, os professores, as escolas, e mesmo os Cantões, continuam a desenvolver e a usar instrumentos de avaliação locais, que co-existem com o sistema nacional de avaliação do desempenho. As ideias veiculadas pela Nova Gestão Pública, que defendem a política baseada na evidência induziram reformas promotoras da prestação de contas, focadas na gestão, na supervisão e na prestação de contas. Porém, estudos comparativos de resultados da Educação conduziram a uma posição crítica por parte de políticos e de especia- listas suíços sobre os testes de alto risco (exames), os rankings de desempenho e os modelos de quasi-mercado da Educação. Um aspeto a merecer atenção na avaliação educacional da Suíça é a preocupação em conhecer a realidade dos alunos, para além do seu desempenho e dos seus re- sultados finais. Isto significa prestar atenção a indicadores socio-económicos das famílias, a características e competências dos alunos à entrada, bem como ao con- texto económico e regulamentar a nível nacional e cantonal. Flavian Imlig e Susanne Ender, no artigo referido (Imlig e Ender, 2018), após a aná- lise daqueles três instrumentos de avaliação, usados em simultâneo na Suíça, iden- tificam as seguintes principais áreas de conflito na Avaliação Educacional: confusão de objetivos; definição dos níveis de agregação de dados e da soberania sobre esses dados; influência dos instrumentos de avaliação na Educação. Outra contribuição relevante do estudo do caso Suíço é a chamada de atenção para
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