Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

132 133 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 e os conteúdos locais, bem como outros aspetos veiculados pelos municípios e pela sociedade (Finnish National Board of Education, 2016). Um valor fundamental do Currículo Nacional para a Educação Básica é considerar que cada aluno é único e tem direito a uma educação de elevada qualidade, devendo os alunos sentir que são valorizados e que a sua aprendizagem e bem-estar são ques- tões que importam. O conhecimento e competências, bem como os valores, as atitu- des e a motivação são o motor deste currículo e a escola deve funcionar como uma comunidade de aprendizagem em que se sigam as seguintes orientações: • Cuidar e proporcionar segurança e bem-estar a todos os seus membros; • Promover sistematicamente abordagens versáteis de trabalho, de cooperação e de interação; • Considerar as diversas línguas e culturas como uma riqueza; • Promover a equidade; • Ser responsável pelo ambiente e enfatizar o futuro sustentável. No Currículo Nacional, os objetivos de aprendizagem de competências transversais são descritos em sete áreas: • Pensar e aprender a aprender; • Literacia cultural, comunicação e expressão; • Gerir o dia-a-dia, cuidando de si e dos outros; • Multi-literacia; • Competências em TIC; • Competências empreendedoras e profissionais; • Participação e construção de um futuro sustentável. O Currículo Nacional para as disciplinas foi escrito de forma que os objetivos asso- ciados a competências mais importantes estejam ligados às metas de aprendizagem da disciplina. As competências também são avaliadas como parte da avaliação da dis- ciplina e, assim, cada disciplina escolar potencia o desenvolvimento de todas as sete áreas de competências transversais. Os municípios e as próprias escolas preparam os seus próprios currículos mais detalhados de acordo com o Currículo Básico Nacional. 5.6.4.1 Avaliação na Educação de Infância Na Educação de Infância não há requisitos de desempenho para as crianças, re- fletindo o princípio orientador de cuidar do bem-estar geral da criança (Eurydice, 2020c). A atividade neste nível educativo organiza-se com base em dois instrumen- tos fundamentais: o Plano Individual de Educação de Infância para cada criança e a Documentação Pedagógica. Como a transição entre a Educação de Infância e a Educação Básica tem grande rele- vância na Finlândia, o último ano da Educação de Infância (Educação Pré-Primária) também tem um Currículo Nacional (National Core Curriculum for Pre-Primary) , elaborado em 2014. Em 2018 foi feito um currículo especificamente para a Educação de Infância (National Core Curriculum for Early Childhood Education and Care) , procurando-se que os três currículos nacionais (National Core Curriculum for Basic Education; National Core Curriculum for Pre-Primary; National Core Curriculum for Early Childhood Education and Care) formem um todo, apresentando uma lógi- ca de continuidade entre níveis, sob o ponto de vista das crianças. Os Planos Individuais de Educação de Infância devem ser elaborados para cada criança, em colaboração com os pais e fazem parte da documentação pedagógica. Além disso, as opiniões da criança devem ser ouvidas e tidas em consideração, ao la- do dos conhecimentos e capacidades da criança, dos seus interesses e pontos fortes, bem como das necessidades de apoio e de orientação. Os objetivos definidos no Plano Individual focam as atividades pedagógicas e medidas de apoio, devendo o plano ser revisto regularmente e a sua aplicação avaliada. Por sua vez, os objetivos decorrentes dos planos individuais das crianças são considerados no planeamento das atividades e no desenvolvimento de ambientes de aprendizagem para o grupo de crianças. Espera-se que os educadores que trabalham na Educação de Infância observem e documentem, de modo sistemático e consciente, o desenvolvimento e a aprendiza- gem das crianças, tendo em consideração as suas observações e os planos individuais. Este processo contínuo é designado por Documentação Pedagógica. Os conhecimen- tos, as competências, interesses e necessidades das crianças tornam-se visíveis atra- vés deste registo sistemático. 5.6.4.2 Avaliação na Educação Pré-Primária Como já foi referido, dos 6 aos 7 anos de idade é obrigatória a frequência de um ano de Educação Pré-Primária, para facilitar a transição para a escola. Nesta fa- se a avaliação tem dois propósitos: planear e desenvolver a educação e apoiar o bem-estar, o crescimento e a aprendizagem de cada criança. Não há padrões de desempenho para crianças e o educador acompanha o desenvolvimento e a aprendizagem de cada criança baseando-se em observações contínuas e docu- mentação versátil. Com base nas informações de acompanhamento e nas con- clusões da avaliação nelas baseadas, o educador adapta os ambientes de ensino e aprendizagem, bem como possíveis medidas de apoio. O educador e outros funcionários envolvidos na orientação das crianças dão feedback diário sobre os pontos fortes e áreas de desenvolvimento das crianças. Os pais também recebem feedback regular sobre seus filhos. A Educação Pré-Primária promove as capacidades das crianças para a autoavaliação, promovendo o desenvolvimento do seu autoconceito e de capacidades de aprendiza- gem. Podendo o educador formular um plano de aprendizagem individual para cada criança, em cooperação com a criança e os pais. O plano de Educação Pré-primária de uma criança é um documento pedagógico baseado no currículo, que orienta o seu processo de crescimento e de aprendizagem, bem como o apoio necessário. Trata-se de um documento pedagógico baseado no currículo. Os professores não são obriga- dos a elaborar planos individuais para cada criança, mas a maioria faz tais planos, sendo obrigatório nos casos em que a criança recebe apoio intensivo.

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