Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

124 125 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 locais e as instituições de Educação Superior. Como os fundos estaduais para a for- mação dos diversos interessados estão disponíveis ao nível de condado, os municí- pios e as universidades devem concordar com o custo da formação. A formação pode ainda ser dada por instituições de Educação Superior fora do condado ou através de cooperação entre diferentes instituições de dentro e fora do condado (OECD, 2019b). 5.5.4 Avaliação Educacional na Noruega A Noruega considera a avaliação como uma base para a orientação da melhoria da aprendizagem e para o desenvolvimento futuro dos alunos, proporcionando aos alu- nos, pais e professores feedback sobre os processos educacionais e os seus resultados. Deste modo procura-se que os alunos valorizem o seu próprio trabalho e progresso, motivando-os para trabalhar e as suas capacidades. Nos últimos anos, tem havido um desenvolvimento nas escolas norueguesas no sentido de colocar maior enfase na Avaliação Contínua e Formativa, com avaliação individual, sem notas, integrada no processo de aprendizagem no dia-a-dia e incluída nas reuniões regulares entre pro- fessores, alunos e pais. A Direção para a Educação e Formação ( Directorate for Education and Training – DET) é a Agência Executiva do Ministério de Educação e Investigação responsável por estabelecer iniciativas para melhorar a prática de avaliação nas escolas, bem co- mo o desenvolvimento da Educação de Infância, da Educação Primária e da Educação Secundária. Uma das iniciativas lideradas por esta Direção foi o desenvolvimento do projeto Práticas de Avaliação Melhoradas (Improved Assessment Practices), cen- trado nas práticas de Avaliação Formativa nas Instituições Educativas com crianças de 1 a 12 anos de idade. O primeiro objetivo deste projeto era melhorar as práticas de Avaliação Formativa em sala-de-aula e o segundo visava aumentar a motivação dos alunos para participar na avaliação, através de uma compreensão partilhada dos objetivos de aprendizagem e dos critérios pelos quais são avaliados. Pretendia-se, ainda, averiguar até que ponto o desenvolvimento e aplicação de critérios de avaliação pelos professores, distintos dos nacionais, origina, realmente, melhorias na prática de avaliação, procurando-se dar resposta às seguintes questões: • Quais são as características dos critérios de avaliação que foram desenvolvidos a nível nacional? • O que caracteriza o processo de desenvolvimento desses critérios de avaliação? • Em que medida o conhecimento dos critérios de avaliação por parte dos alunos contribui para melhorar a sua participação nos processos de avaliação das suas competências? • Em que medida podemos encontrar evidência de que o uso dos critérios de avaliação leva a uma prática de avaliação mais justa? • Em que medida o uso de critérios de avaliação contribui para aumentar a motivação dos alunos para a aprendizagem? Os programas e projetos mais recentes daquela Agência têm sido objeto de análise aprofundada por várias equipas de especialistas, originando publicações que foram escolhidas como base para este trabalho, em associação estreita com os Relatórios da Euridyce. Um exemplo relevante é uma publicação de Therese Hopfenbeck, Inger Throndsen, Svein Lie e Erling Dale com o título “Assessment with distinctly defined criteria: A research study of a national project” (Hopfenbeck et al ., 2012). Os aspetos empíricos desta análise são apresentados em três partes distintas: a primeira parte analisa os critérios de avaliação desenvolvidos, a segunda parte ba- seou-se num conjunto de entrevistas a professores e alunos e a terceira centra-se nos resultados de um questionário aplicado a 635 professores e 893 alunos. Uma ideia emergente foi a da dificuldade de identificar os critérios de avaliação nacionais de mo- do a que sejam úteis para a definição de critérios pelas escolas. Assim, se por um lado se notava um excessivo grau de detalhe e de burocracia ao nível dos critérios de avalia- ção nacionais, por outro, reconheceu-se ser necessário não perder o alinhamento com os critérios a nível nacional, aquando da adoção de critérios elaborados nas escolas. A principal recomendação daquele projeto tem a ver com o cuidado a ter na im- plementação de um Sistema de Avaliação Nacional na Noruega, especialmente no cuidado de planear o apoio e formação dos professores. O projeto mostrou, ainda, que uma parte desse apoio deve visar mais esclarecer os critérios (conceptualização) e menos a sua aplicação em sala-de-aula, por parte dos professores. Outro resultado foi a constatação de que os professores precisam de mais tempo para praticar Avaliação Formativa em sala-de-aula. Concluiu-se, ainda, que o desenvolvimento profissional dos professores é necessário para (re)conceptualizar o valor da avaliação e que os especialistas em avaliação, os responsáveis do desenvolvimento dos cur- rículos e os políticos não podem esperar que os professores usem a Avaliação Formativa, focada no feedback eficaz, sem uma contextualizada formação. Com base nas experiências e recomendações deste projeto, a Direção Norueguesa para a Educação e Formação recomendou mais investimento sistemático em avaliação, recomendação que foi aceite pelo Ministério da Educação e originou o progra- ma “Avaliação para a Aprendizagem, 2010-2014” . Nos últimos anos, tem havido um foco maior na Avaliação Formativa, ampliando-se este programa até 2018, com apoio às escolas, formadores e autoridades locais na melhoria das práticas. Cerca de 320 municípios e 630 escolas estiveram envolvidos neste programa, nas suas duas fases (2010-14 e 2014-18). O relatório final do programa, intitulado “Observations on The National Assessment for Learning Programme (2010–2018)” , refere que, em muitos casos, a participação teve impacto, levando, nomeadamente, a uma cul- tura de Avaliação mais orientada para a Aprendizagem, a um maior uso de práticas de Avaliação Formativa, à melhoria do planeamento curricular e ao desenvolvimento de uma cultura de aperfeiçoamento da investigação e desenvolvimento entre as es- colas (Norwegian Directorate for Education and Training, 2018). Em 2013 é publicado um relatório intitulado “Balancing trust and accountability? The assessment for learning programme in Norway” (Hopfenbeck et al ., 2013), que faz uma avaliação daquele programa antes do seu término, de modo que se possa ainda melhorar a sua aplicação. A partir dos resultados dessas análises, as principais conclusões foram as seguintes: • Os municípios que implementaram com sucesso o programa demonstraram uma clara comunicação entre os vários níveis de Governança e um alto grau de confiança entre as partes interessadas.

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