Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
110 111 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 processo diário de educação e aprendizagem. Assim sendo, os educadores reali- zam observações de acordo com um plano preciso, acompanhando as crianças nas atividades do dia-a-dia, nas brincadeiras livres e nas atividades orientadas. A ob- servação é o principal método usado neste processo de avaliação, embora outros métodos, como a entrevista ou análise de trabalhos infantis também sejam consi- derados adequados. Também é comum preparar um arquivo ou portfolio sobre o desenvolvimento de cada criança, sendo os métodos usados apresentados aos pais. O sucesso, o desenvolvimento (progresso), as atitudes positivas e o interesse são reconhecidos, sendo o desenvolvimento da criança descrito na ótica da criança e valorizando as suas realizações. Para a avaliação e deteção precoce do desenvolvi- mento da fala e para o suporte ao seu desenvolvimento, os fono-audiólogos apli- cam testes com base científica que permitem a avaliação de aspetos importantes da fala de uma criança: vocabulário, capacidades gramaticais e pronúncia. Esta ava- liação da fala é avaliada num ambiente lúdico, onde a criança brinca com objetos ou observa fotografias junto de um avaliador da fala (Eurydice, 2020b). Como parte de um projeto de cooperação entre o Ministério da Educação e Ciência e a Eesti Logopeedide Ühing (Associação Estoniana de Fonoaudiólogos), foram desenvolvidos testes de fala padronizados para crianças de 3 a 4 anos e de 5 a 6 anos. Os centros da Fundação Innove Rajaleidja , distribuídos pelo país, convo- cam as crianças, os pais e os educadores das instituições de Educação de Infância para receber aconselhamento sobre terapia da fala, educação especial, pedagogia social e aconselhamento psicológico, de modo a avaliar e apoiar o desenvolvimento de cada criança. Em 2014-2016, a Universidade de Tartu compilou e adotou cinco ferramentas de avaliação para determinar o nível de desenvolvimento de crianças de 1 a 7 anos, usando uma versão resumida da versão estoniana dos Inventários de Desenvolvimento Comunicativo MacArthur-Bates (ECDI) e um questionário de competências sociais, adotando a metodologia de Strebeleva para avaliar as ca- pacidades cognitivas de uma criança e o seu perfil psico-educacional (teste PEP- 3). A Eesti Logopeedide Ühing organiza também formação sobre a aplicação das ferramentas de avaliação para especialistas de apoio em instituições de Educação de Infância. De acordo com a Legislação ( Preschool Child Care Institutions Act , 1999) as Instituições Educativas de Infância emitem um certificado de capacitação para to- das as crianças que concluírem o currículo de Educação de Infância. Neste certifi- cado são descritas as realizações da criança no desenvolvimento de competências gerais e nos campos de atividades de aprendizagem, de acordo com o currículo na- cional para Instituições Educativas de Infância. Os pontos fortes da criança, bem como os aspetos que precisam de desenvolvimento, são descritos de modo que o/a professor/a da escola primária possa ter em consideração as experiências anterio- res da criança e, em cooperação com a família, criar oportunidades para promover o seu desenvolvimento individual. Os centros da Fundação Innove Rajaleidja , dis- tribuídos pelo país, convocam as crianças, os pais e os educadores das instituições de Educação de Infância para receber aconselhamento sobre terapia da fala, edu- cação especial, pedagogia social e aconselhamento psicológico, de modo a avaliar e apoiar o desenvolvimento de cada criança. 5.3.4.2 Avaliação na Educação de Estrutura Única (Primária e Secundária Inferior) As escolas usam Avaliação Formativa e Avaliação Sumativa de conhecimentos e competências e, para obter a Educação Básica, os alunos têm de concluir com sucesso o currículo e serem aprovados nos exames finais (Avaliação Sumativa). As escolas são obrigadas a dar feedback , por escrito, aos alunos e pais, sobre os resultados da aprendizagem e o comportamento dos alunos (Avaliação Formativa), pelo menos uma vez em cada seis meses. Os pais são informados sobre as classificações e avaliações do dia-a-dia por meio do e-kool (ambiente de comunicação eletrónica entre a casa e a escola). Pelo menos uma vez durante o ano letivo, é realizada na escola uma entrevista orientada para o processo de desenvolvimento do aluno, durante a qual outros objetivos de desenvolvimento são acordados com a participação do aluno, do professor da turma e dos pais. O conhecimento e as competências de um aluno são avaliados em relação a todas as disciplinas obrigatórias e opcionais previstas no currículo, tanto durante as ativida- des de estudo como no final de um tema de estudo. A avaliação do conhecimento, ca- pacidades e experiência dos alunos, a nível nacional, usa uma escala de cinco pontos, onde a nota 5 significa muito bom, 4 significa bom, 3 significa satisfatório, 2 significa medíocre e 1 significa mau. Em vez da escala de cinco pontos, as escolas podem usar um sistema diferente, e, nos estágios I e II da escola básica, a avaliação verbal descri- tiva pode ser usada sem equivalente numérico. Os princípios de avaliação, bem como a base para a sua transferência para a escala de cinco pontos, são determinados no currículo da escola. Assim, no final do estágio II do percurso educativo, as avaliações orais, que formam uma base para a progressão do aluno para o ano letivo seguinte, devem ser transferidas para a escala de cinco pontos. As classificações sumativas de um aluno também são transferidas para a escala de cinco pontos, caso o aluno mude para uma escola diferente ou saia da escola. Na Educação Básica a avaliação externa dos resultados de aprendizagens é condu- zida através da realização de testes de determinação de padrões nacionais (national standard-determining tests) e de exames finais da escola básica unificada (uni ed basic school nal examinations) . Alguns destes testes são realizados com recurso ao computador e respondidos eletronicamente (modern standard-determining e-tests) , recorrendo ao Sistema de Informação de Exames. 5.4 Caso Alemanha 5.4.1 Introdução A Alemanha é um caso exemplar de utilização das avaliações internacionais, nomea- damente do PISA, para fundamentar mudanças sustentadas em evidência e planea- das de modo consistente e robusto. A sua cultura de avaliação manifesta-se, não só na prática da avaliação de aprendizagens, mas também na avaliação e monitorização das políticas, dos programas e dos projetos, tendo em vista a melhoria dos resulta- dos. Os resultados PISA 2000 provocaram um duplo choque, o primeiro resultan- te da posição da Alemanha face aos outros países não ser a esperada, tanto pelos
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