Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
106 107 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 Um novo formato de turma da Educação Secundária também será implementado para que os alunos de diferentes fluxos (superior e inferior) estejam na mesma tur- ma e estudem assuntos comuns, como é o caso da Educação de Caráter e Cidadania, Educação Física e Arte. O papel dos alunos na avaliação é fundamental. Precisam de saber e compreender quais os objetivos da avaliação, como é que vão ser avaliados, quais os resultados desejados e como podem usar a avaliação para melhorar a sua aprendizagem. Numa perspetiva de quais as competências que devem adquirir para o seu futuro devem ter consciência da permanente mudança e de como se adaptar às mudanças e como estar em permanente aprendizagem (Ministério da Educação de Singapura, 2020a; Wong e Ng, 2021). No re- latório intitulado “Future-ready learners: learning, lifework, living, and habits of prac- tices” são considerados os diversos aspetos que constroem as competências adequadas para se estar preparado para o futuro (Ng et al. , 2020a). Para além das competências de- vem assim criar hábitos que os preparem para a mudança: 1) questionar e ser curioso; 2) formular ideias e conceitos; 3) transformar ideias em ação; 4) ser empreendedor; 5) ter perspicácia intercultural; 6) encontrar significado no que faz e ter paixão e persistência. Neste processo de mudança também não foi esquecido o importante papel dos pais. O Ministério da Educação reconhece que os pais e a comunidade também desempe- nham um papel crucial no desenvolvimento dos alunos. Consideram-nos como par- ceiros que podem ser incentivados a trabalhar em conjunto com as escolas para criar um ambiente de aprendizagem atencioso e propício nas escolas, mas também em casa e na comunidade. Apesar das comunicações e encontros regulares entre pais, escolas e o Ministério de Educação de Singapura, os pais persistem com equívocos e perceções erradas sobre Avaliação da Aprendizagem e Avaliação para a Aprendizagem (Wong et al. , 2020). Os pais carregam consigo a sua experiência sobre Avaliação (Sumativa) e de como o seu desempenho académico determinou o seu trabalho e estatuto social; torna-se necessário passar-lhes a ideia de que o Sistema Educativo evoluiu ao longo dos anos, bem como também evoluiu a natureza da avaliação. Aumentar a compreensão dos pais sobre a avaliação, através da sua literacia em avaliação, tem o potencial de se tornar um catalisador na mudança do cenário da avaliação. A literacia da avaliação dos pais também pode apoiar os esforços dos professores para promover a aprendi- zagem dos alunos de uma forma mais holística, além do foco estreito nos resultados da avaliação. A escolha livre da escolha existe há mais de 60 anos em Singapura, o que acarreta algumas consequências: a perceção dos pais, de que algumas escolas são melhores que outras, leva a uma concorrência no acesso às escolas. A publicação de rankings das escolas em 1992, veio reforçar este ambiente concorrencial, pres- sionando por um lado os alunos a obterem classificações mais elevadas nos exames e por outro lado levando as escolas a procurar captar alunos com boas classificações. Se não é criticável a procura de boas escolas pelos pais, com vista ao sucesso socioe- conómico dos filhos, procurou-se não só dar acesso a todas as crianças à Educação, mas antes garantir uma boa Educação em qualquer escola de Singapura. Para além do acesso o MOE preocupa-se com a permanência dos alunos no Sistema de Educação; o apoio à equidade materializa-se no apoio aos alunos e famílias. Os esforços de melhoria da Avaliação são feitos de modo integrado, onde as Políticas se baseiam na evidência, na definição de estratégias, no planeamento e implemen- tação de Programas e Medidas bem como na monitorização e avaliação desses Programas e das Políticas. Assim uma elevada capacidade operacional cria e alinha os recursos com as ações políticas de modo a sua implementação seja feita de modo incremental, coordenada e integrando todos os interessados. 5.3 Caso Estónia 5.3.1 Introdução Tal como Singapura, a Estónia é um país de elevado e consistente desempenho no PISA e pode servir como modelo de reflexão para nações de pequena dimensão ter- ritorial. Culturalmente, a Educação sempre foi valorizada na Estónia, mas agora esta valorização é associada à ideia de ser um recurso fundamental numa economia em- preendedora e em rápido crescimento. Assim, existe uma tradição de estudar muito, um pouco como nos países asiáticos, onde os pais se empenham para que os filhos estudem e aprendam. Uma tal cultura reflete-se no facto de a Estónia aparecer em posições cimeiras em avaliações educacionais internacionais, adotando práticas edu- cacionais inovadoras reconhecidas. A inovação a manifesta-se tanto ao nível dos re- cursos humanos, como no uso de tecnologias, nas práticas pedagógicas e na melhoria dos processos organizacionais e institucionais. 5.3.2 Sistema Educativo da Estónia O Sistema Educativo da Estónia integra a Educação de Infância, a Educação Primária, a Educação Secundária Inferior, a Educação Secundária Superior, Educação Pós- Secundária não Superior e a Educação Superior. A administração local é obrigada a providenciar acesso à Educação de Infância às crianças com idades entre os 18 meses e os 7 anos, que residem permanentemente na sua área de abrangência, se os pais assim o desejarem. A este nível as crianças frequentam instituições de acolhimento (Koolieelne lasteasutus) , existindo, ainda, um sistema de serviços de amas (Lapsehoiuteenus) que se destina principalmente às crianças dos 0 aos 3 anos. A Educação Primária e a Educação Secundária Inferior formam uma estrutura úni- ca, com um currículo de ensino geral comum, não existindo uma transição entre a Educação Primária e a Educação Secundária Inferior. Este nível educativo abrange as idades dos 7 aos 16 anos e corresponde à Educação Obrigatória, designada Educação Básica (pohikool) . A Educação Secundária Superior é oferecida como Educação Secundária Geral, dis- ponibilizada em escolas secundárias (Gümnaasium) e como Educação Secundária Profissional, da responsabilidade de escolas profissionais (Kutseõppeasutus) . Este ní- vel de Educação abarca as idades dos 16 aos 19 anos, podendo a Educação Profissional também ser frequentada após a conclusão da Educação Secundária (19 a 21 anos),
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