Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022

104 105 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 A gradual implementação de Avaliação de Aprendizagens As sucessivas reformas da política educacional, das pedagogias e em particular da avaliação, em Singapura caracterizam-se pela existência em conjunto de mudança e continuidade. Nunca esquecendo o princípio da valorização da Educação para o de- senvolvimento do indivíduo e da Sociedade, a avaliação de Aprendizagens vem sendo implementada num processo gradual de forma esclarecida e participativa. Perante a constatação dos problemas de estigmatização e de tensões gerados pelo mau uso da Avaliação Sumativa foram sendo sucessivamente implementadas e moni- torizadas medidas e programas com vista a implementar uma coerente e transversal Avaliação de Aprendizagens em equilíbrio com a avaliação sumativa. A herança histórica, tanto dos períodos Britânico como Japonês, deixou a ideia de definição de objetivos educacionais e económicos, de que resultaram alguns fios con- dutores da avaliação associados ao desempenho académico, como por exemplo a me- lhoria de padrões, a competição entre escolas, a melhoria da qualidade educacional e a criação de força produtiva de trabalho. A criação dos exames PSLE e o uso dos seus re- sultados para a colocação dos alunos em diversas escolas da Educação Secundária au- mentou a ansiedade dos pais e alunos na “corrida” a uma colocação numa “boa escola”. A introdução do paradigma “ Streaming” , em 1979, acrescentou outra camada ao processo de avaliação, ao usar os resultados dos exames para colocar os alunos em diferentes fluxos da Educação Secundária (Expresso, Normal Académico e Normal Técnico). A principal preocupação era preparar os alunos para os exames nacio- nais. A iniciativa PERI HA consistiu num esforço de larga escala para desenvolver competências dos professores da Educação Primária para usarem Avaliação para a Aprendizagem, nas suas salas de aula. Posteriormente foram sendo removidos alguns exames, foi sendo reduzido o volume de currículo, foram disponibilizados recursos para um desenvolvimento profissional sistemático, implementado um programa de expansão da capacidade de avaliação de todas as escolas primárias e a criação de re- des profissionais de aprendizagem para os professores, onde estes podiam partilhar as suas práticas em sala-de-aula. Monitorando a implementação da iniciativa PERI HA constataram a existência de lacunas de literacia em avaliação dos professores e da necessidade do seu desenvolvimento profissional. O MOE promoveu as escolas com estruturas como as Comunidades de Aprendizagem dos Professores para me- lhorar a sua literacia em avaliação, forneceu recursos e material de referência, pro- moveu a construção de capacidade em avaliação através de workshops , seminários e partilha profissional, bem como consultoria direta às escolas. Os líderes escolares foram ativamente envolvidos juntamente com os professores, permitindo a forma- ção de equipas de líderes comprometidos com a Avaliação para a Aprendizagem e de líderes solicitando aos professores a sua ação na implementação. Os professores reportaram um impacto positivo na aprendizagem dos alunos alinhado com os ob- jetivos do seu desenvolvimento holístico: alunos tornaram-se mais auto-direciona- dos aprendizes; alunos tornaram-se mais auto-confiantes e capazes de articularem a sua própria aprendizagem, alunos mais recetivos a diversos tipos de feedback . Por sua vez os professores e líderes escolares relataram que as práticas de Avaliação pa- ra a aprendizagem foram sendo cumulativa e coletivamente adquiridas através de comunidades profissionais de aprendizagem desenhadas de modo a incrementar as capacidades em Avaliação para a Aprendizagem; estas comunidades podem assim ser consideradas como mecanismos institucionais para ajudar no processo de conversão da prática de avaliação. Foi reconhecido que o processo é complexo e requer tempo. Também na Educação Secundária este processo foi sendo implementado num pro- cesso de negociação contínua entre o que se pretende mudar e o que deve permane- cer ao nível institucional, no domínio da avaliação. De 2020 a 2024, as escolas secundárias irão testar e implementar o programa com- pleto de faixas baseadas em disciplinas que permitem aos alunos estudar assuntos em um nível superior ou inferior, com base nos seus pontos fortes, para cada discipli- na. Ou seja, todos os alunos transitam para a Educação Secundária e escolhem para cada disciplina o nível (entre 3 níveis-G1, G2, G3) que pretendem frequentar. Por exemplo o aluno pode escolher duas disciplinas do nível G1, quatro disciplinas do ní- vel G2 e uma disciplina do nível G3 (conforme Figura 17). Isto permite uma maior fle- xibilidade na Educação Secundária, adaptando-se às necessidades de aprendizagem dos alunos, mitigando a estigmatização e etiquetagem dos alunos associado ao an- terior processo de streaming (colocação através de níveis). Há uma evolução do pa- radigma de Streaming para o paradigma denominado “Full Subject-Based Banding” (Full SBB) , que visa nutrir a alegria de aprender e proporcionar vários caminhos para que os alunos possam desenvolver-se como cidadãos autoconfiantes e competentes. A ideia base é que cada criança continuará a ter acesso a oportunidades, ao longo de sua jornada educacional, para desenvolver os seus talentos únicos e realizar o seu potencial ao longo da sua vida. Figura 17 Full Subject-Based Banding , nas Escolas Secundárias Fonte: Ministério da Educação de Singapura (2019) G2 G3 G1

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