Avaliação das aprendizagens em instituições educativas FCG 2022
102 103 Casos de Estudo Internacionais CAP Í TULO 5 definidos eram alcançados e que a qualidade das escolas melhorasse. Em 1998 o MOE publicou o documento Desired Outcomes od Education , que não só explicitava os ob- jetivos da Educação de Singapura, mas considerava os atributos individuais dos alu- nos e a necessidade de criar condições para o desenvolvimento do seu potencial. Os currículos foram adaptados e a avaliação foi diversificada. A avaliação em Educação tem diversos objetivos, usa diversas abordagens, é aplicada em tempos distintos, usando-se, nomeadamente, Avaliação Diagnóstico, Avaliação Formativa e Avaliação Sumativa, com as finalidades seguintes: • Avaliação Diagnóstico: Recolher dados sobre o conhecimento e as competências atuais dos alunos e o que os alunos já sabem; • Avaliação Formativa: Averiguar onde os alunos estão na sua aprendizagem, para onde é que eles precisam de ir e o que fazer para lá chegar, através de um processo contínuo de recolha de dados e interpretação da evidência; • Avaliação Sumativa: Medir e relatar o que os alunos aprenderam após da unidade ou curso, sendo o resultado geralmente apresentado como classificação ou nota. Estamos perante um caso em que se dispõe de uma revisão muito recente da evolu- ção das políticas de avaliação em Educação nos últimos 156 anos, atravessando pe- ríodos bem diversos de contexto político, do tempo colonial (britânico e japonês) à Singapura atual (Wong et al. , 2020). Assim, é possível recolher evidência de um pro- cesso de mudanças sem ruturas, baseado em evidência proporcionada pelo conhe- cimento adquirido ao longo do tempo. Em 1960, instituíram o Exame de Conclusão da Escola Primária ( Primary School Leaving Examination – PSLE) com o objetivo principal de selecionar e colocar alunos nas escolas secundárias. Instituída esta pri- meira camada, a política de avaliação continuaria em 1965, quando os exames em níveis educacionais mais elevados foram instituídos com o propósito de promover a melhoria da qualidade e do desempenho dos alunos. O Relatório do primeiro-ministro Goh, de 1979, intitulado “Pensar as escolas, Nação que aprende” ( Thinking schools, Learning Nation – TSLN), introduziu novas regras sobre a colocação dos alunos nas escolas e no sentido de melhorar a qualidade e o desempenho dos alunos. Um outro documento estruturante da Avaliação Educacional, intitulado “Desired Outcomes of Education (DOE)”, origi- nado em 1998, com reformulação em 2009, estabelece o desenvolvimento holísti- co como meta e apresenta os atributos que os alunos devem ter após a conclusão da Educação Escolar: pessoa confiante, aprendiz autodirigido, contribuinte ativo e cidadão interessado. O processo de desenvolvimento do país é pensado vendo a Educação como apoio ao desenvolvimento económico nacional e à promoção da coesão social, registando-se, ao longo dos anos, a publicação de sucessivos instru- mentos de orientação política, na sequência do TNSL e do DOE: Em 2004, Ensinar Menos, Aprender Mais ( Teach Less, Learn More – TLLM), visa incentivar os alu- nos a aprender de forma mais ativa e independente, para alimentar uma curiosida- de que vai além do currículo formal e um amor pela aprendizagem que permanece com o aluno por toda a vida; em 2008 o Comité de Revisão e Implementação da Educação Primária ( Primary Education Review and Implementation – PERI) foi incumbido pelo Ministério da Educação de analisar as prioridades, as iniciativas e os recursos necessários para melhorar a Educação Primária e, em 2009, elaborou um relatório em que propôs equilibrar a aquisição de conhecimento com o desen- volvimento de competências e valores, adotando-se avaliação mais holística para apoiar a aprendizagem (MOE PERI Committee, 2009). Singapura participa em várias avaliações internacionais de larga escala, de modo proactivo e envolve-se na recolha e no uso dos resultados tendo em vista o desen- volvimento interno das estratégias de avaliação. Este país, face aos diversos tipos de avaliações internacionais de larga escala, tem uma posição pragmática, ou se- ja, considera que, perante os diversos tipos de avaliação educacional, se deve pro- curar compreendê-los e saber recolher os benefícios de todos e de cada um. O Ministério da Educação de Singapura usa dados das Avaliações Internacionais em Larga Escala (PISA, PIRLS e TIMSS) para informar a formulação de políticas re- lativas ao Sistema Educativo do país, bem como no apoio ao desenvolvimento de programas e ao redesenho do currículo. Singapura tem sido apresentado como ca- so de boas práticas no uso dos dados fornecidos pelas Avaliações Internacionais de Larga Escala ( International Large Scale Assessment – ILSA), nomeadamente, para informar o desenvolvimento e a reforma de políticas educativas. A fim dega- rantir que os dados destas avaliações internacionais permaneçam úteis, são ado- tados três princípios gerais: não considerar as avaliações de larga escala como única fonte de informação, não adotar um alinhamento “cego” dos objetivos do currículo com os objetivos das Avaliações Internacionais de Larga Escala e pro- curar que o uso dos dados não seja corrompido (garantindo que as pontuações não serão usadas para punição ou culpabilização de indivíduos ou instituições). A informação e os dados são recolhidos e tratados por uma equipa técnica do Ministério, com independência e competência para os explorar e para os comple- mentar com outras fontes de informação, de modo sistemático, sendo usados no processo de acompanhamento do Sistema Educativo. Singapura atualmente participa em cinco estudos internacionais de larga escala: IEA's, PIRLS e TIMSS e três programas sob responsabilidade da OCDE, nomeada- mente o PISA, TALIS e PIAAC (Programme for the International Assessment of Adult Competencies) . Os estudos internacionais mostram em que medida os alunos de diferentes níveis e idades estão a desenvolver o conhecimento, as competências e as atitudes que são consideradas essenciais para o futuro. Para além dos dados sobre os alunos, os estudos internacionais fornecem comparações das várias estratégias e práticas dos atores educativos (por exemplo, professores e diretores de escolas), per- mitindo que o Ministério da Educação de Singapura compreenda os pontos fortes e fracos das práticas locais. A natureza cíclica dos estudos e avaliações internacionais permite que a recolha e análise da informação não se limite a momentos únicos, mas tenha a continuidade que permite fazer análises de tendência. Em síntese, pode afirmar-se que, como resultado da longa história de participa- ção em Avaliações Internacionais de Larga Escala, o Ministéri o da Educação de Singapura desenvolveu princípios gerais que orientam o uso de tais avaliações e dos correspondentes resultados, que terão estimulado os atores educativos a desenvolver esforços para melhorar as aprendizagens de todos os alunos.
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